Presente do Céu

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Eis que diz o Salmista: “Os olhos do Senhor buscam os justos, inclina os seus ouvidos para ouvi-los.” (Sl 33, 17). É na oração que Deus nos encontra e se revela nos mais profundo da nossa alma. Quanto mais inclinados estivermos a ter este encontro, mais Deus se aproximará para ouvir a nossa voz. E, se esta voz proferir palavras que alegram a sua Santíssima Mãe, mais ainda Sua atenção nos será dirigida.

Uma poderosíssima arma para vencer o inimigo é, justamente, abraçar o santo Rosário. Nele e com ele, desvendamos os mais belíssimos mistérios e virtudes da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo e de Sua Digníssima Mãe.

São Luís Maria Grignion de Montfort pede que tenhamos o cuidado de não considerar a devoção do Rosário como pequena e ineficaz, como alguns ignorantes e, até mesmo, vários sábios orgulhosos. Segundo o santo, “Foi o céu que no la-deu, e deu-a para convertermos os pecadores mais endurecidos e os hereges mais obstinados. Deus associou a ela a graça nesta vida e a glória na outra”.

A cada repetição da saudação angélica o coração da Virgem Maria sente mais uma vez a alegria imensa que sentiu quando da aparição do anjo para anunciar-lhe que seria a Mãe do Salvador. Quando Maria Santíssima ouve seus filhos dizendo “Bendita sois vós entre as mulheres, bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus”, ela exulta declamando: “Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito se alegra em Deus, meu salvador, porque olhou para a humildade de sua pobre serva. De agora em diante, todas as gerações hão de chamar-me de bendita”.

Nesse diálogo profundo, criamos um elo indestrutível com o que é bom e santo e o nosso coração converge cada vez mais para o de Deus.

Já na sua época, São Luís Maria Grignion de Monfort registrava que “Enquanto, a exemplo de São Domingos, os pregadores pregavam a devoção ao santo Rosário, a piedade e o fervor floresciam nas ordens religiosas que observavam essa devoção e no mundo cristão; porém, desde que se tem negligenciado esse presente vindo do céu, por toda parte não temos visto senão pecados e desordens.”

Ora se não é exatamente o que estamos vendo acontecer em inúmeros lares! Com muito pesar, temos visto famílias que não mais encontram o caminho para que permaneçam unidas. Desistem facilmente das batalhas de todos os dias, mesmo que isso signifique o sacrifício de perder o maior presente que Deus lhes poderia dar: sua família.

Aquele que se une ao Rosário, entretanto, não será abandonado, pois à sua voz estará atento o Senhor Deus: “As aflições afluem sobre o justo, mas o Senhor de todas o liberta” (Sl 33, 20).

A oração levada ao Senhor pelas mãos de Sua Mãe torna-se ainda mais eficaz, diante do grande amor que Ele tem por ela. Coloquemo-nos como o apóstolo João que, de braços abertos, recebeu, como sua, a Mãe de Cristo.

Grande prova o auxílio da Mãe de Nosso Senhor em favor dos cristãos ocorreu em 07 de outubro de 1571, por ocasião da vitória da batalha de Lepanto, no mar da Grécia, quando a esquadra cristã, organizada pelo Papa São Pio V e comandada pelo Príncipe Dom João d´Áustria, venceu milagrosamente as forças muçulmanas que poderiam ter invadido a Europa e, consequentemente, subjugando o povo cristão. O Papa, além de determinar a bênção das armas dos soldados, pediu que todos levassem como arma mais forte o Santo Rosário. Eles eram minoria frente aos soldados turcos e, no entanto, após três horas de luta, saíram vitoriosos ao grito de “Viva Maria”! O domínio muçulmano era um risco real e grave ao cristianismo e, por intercessão de Nossa Senhora do Rosário, o pior não aconteceu. Além da recitação do Rosário, os soldados prepararam-se durante três dias com jejuns, orações e procissões.

A batalha de Lepanto é travada por nós em todos os instantes de nossa vida, nos diversos aspectos e circunstâncias que a envolvem. A qualquer momento, podemos nos deparar com o inimigo tentando dizimar a nossa fé, destruir a nossa alma e ter para si um território que devemos proteger e guardar para a habitação de Deus.

Não permitamos que o inimigo invada a nossa vida, nossa família e nossa pátria por falta da devoção ao santo Rosário. Erga muralhas, edifique sobre a rocha e construa uma fortaleza. Nossa Senhora há de nos ajudar.

Para São Luís Maria Grignion de Monfort, “Entre todos os modos de recitar o santo Rosário, o mais glorioso a Deus, o mais salutar à alma e o mais terrível ao diabo é salmodiá-lo ou recitá-lo publicamente em dois coros.”.

Imaginemos a força que não terá o Rosário recitado com humildade e devoção em família!

Acolhamos em nossas famílias esse grande presente do Céu e teremos a mais poderosa arma contra o mal.

Que as famílias iniciem tão gloriosa devoção e perseverem nessa santa virtude para que, unidas, encontrem Jesus e alcancem o Céu.

Nossa Senhora do Rosário, rogai por nós!

Referências:

O Segredo Admirável do Santíssimo Rosário. São Luís Maria de Grignion de Montfort.

https://cleofas.com.br/voce-conhece-a-historia-da-batalha-de-lepanto/

Anjos de Deus, para nós!

São Gabriel com Maria

 

Deus, em seu Amor infinito, nos concede a graça e o privilégio da companhia de seus Anjos e Arcanjos, assegurando a cada alma um protetor especial e particular.

Na Bíblia Sagrada, temos o relato da presença visível das criaturas celestiais que trazem mensagens de Deus, que nos acompanham, que nos curam de enfermidades físicas e espirituais, que conosco combatem na luta contra o mal.

Maria ouviu atentamente o anjo Gabriel, aquiescendo com humildade e obediência ao chamado que por Ele Deus lhe havia encaminhado. Por esse SIM, a Salvação veio ao mundo.

Entrando onde ela estava, o anjo lhe disse: ‘Alegre-se cheia de graça: o Senhor está contigo! Ao ouvir isso, Maria ficou confusa e se perguntava o que esta saudação queria dizer. O anjo lhe disse: ‘Não tenha medo, Maria, porque você encontrou graça junto de Deus‘” (Lucas 1, 28-30).

Tobit e Sara, no mesmo dia, por diferentes razões e em diferentes lugares, elevaram a Deus suas preces. Em ambos os corações havia tanta tristeza e angústia que, por não conseguirem enxergar razões para viver, pediram a Deus que lhes tirasse a vida ou, se assim não quisesse proceder, que os livrasse dos insultos e ultrajes, tendo compaixão do sofrimento que amarguravam. Deus enviou o arcanjo Rafael para curar suas angústias.

No mesmo instante, o Deus da glória escutou a oração dos dois, e mandou Rafael para curá-los: tirar as manchas dos olhos de Tobit, a fim de que pudesse ver a luz de Deus; e fazer com que Sara, filha de Ragüel, se casasse com Tobias, filho de Tobit, livrando-a de Asmodeu, o pior dos demônios. Tobias tinha direito de casar-se com ela, mais do que todos os outros pretendentes.” (Tobias 3, 16-17). 

Miguel, príncipe da milícia celeste, precipitou no inferno a Satanás e aos espíritos malignos, e nos defende no combate, sendo nosso refúgio contra a maldade e as ciladas do demônio.

Aconteceu então um combate no céu: Miguel e seus Anjos combateram contra o Dragão. Também o Dragão combateu junto com seus Anjos, mas não venceu, e não houve mais lugar para eles no céu. Então foi expulso o grande Dragão, que é a antiga Serpente, o chamado Diabo e Satanás. É ele que engana todos os habitantes da terra: foi expulso para a terra e os seus Anjos foram expulsos junto com ele.” (Apocalipse 12, 7-9)

São Paulo nos ensina que o combate a ser travado é preponderantemente realizado contra o que não se vê.

O que não vemos, os anjos vêem. Deus os enviou para nós.

Façamos bom uso desse auxílio, invocando-o a todo momento e ficando em silêncio para ouvir em nosso coração as suas mensagens e os seus conselhos.

Tenhamos a consciência da luta contra o mal, principalmente contra aquilo que não vemos, mas que está presente e bem perto de nós, de nossas famílias, de nossos lares.

Tenhamos ainda mais consciência de que não estamos sozinhos nessa batalha. Os anjos de Deus estão ao nosso lado, bem perto. Basta chamar e silenciar. Em oração, podemos sentir e ouvir essa presença celestial.

E quando, relutantes em silenciar, nosso coração ainda resiste às mensagens celestiais, elas conseguem nos alcançar através de anjos de carne e osso que trazem o céu no olhar, no sorriso, num abraço.

Que neste dia dos Santos Arcanjos Miguel, Rafael e Gabriel, Deus nos conceda a graça de sentir e ouvir os anjos que estão aqui para nos aproximar dEle, nos permitindo também  ser anjos na vida uns dos outros!

Antes de concluir, agradeço a Deus pelos cinco anos do nosso grupo Famílias de Jesus, comemorados hoje, 29 de setembro de 2018, no qual certamente muitas e muitas vezes pude ver e sentir o céu no olhar, no sorriso e no abraço de anjos de carne e osso que todos os dias intercedem a Deus pelas mais diversas intenções, clamando por curas e milagres, pela conversão de todas as famílias, pelo nosso país e pela nossa Igreja.

Que Deus nos abençoe e nos permita colaborar cada dia mais com o anúncio do seu Reino!

Caridade, coragem e confiança!

Há poucos meses, lendo sobre a vida de São Maximiliano Kolbe, tive uma aula prática sobre a caridade.

Ele era um sacerdote polonês que foi preso no Campo de Concentração de Auschwitz em virtude da influência que exercia, principalmente com a sua revista dedicada à Imaculada. De lá, ele pôde nos dar um dos maiores testemunhos da verdadeira caridade.

Eis que tendo fugido um preso do bloco 14, ao qual pertencia São Maximiliano Kolbe, foi dito que se ele não aparecesse até o dia seguinte à tarde, dez prisioneiros morreriam em seu lugar. Eles seriam enviados para o bunker da fome. Um lugar horrível, um pequeno quartinho subterrâneo, onde ficariam sem comida, sem água e sem roupa, até que a morte os viesse visitar.

Assim, após ficarem o dia inteiro em pé, no sol escaldante de julho de 1941, o comandante deu início a escolha dos prisioneiros e um deles saiu da fila, desesperado, chorando e gritando que tinha esposa e filhos e agora esses ficariam órfãos.

Os relatos descrevem que São Maximiliano Kolbe deixou o seu lugar na fila e olhou fixamente para o comandante, com seu corpo magro, fraco, abatido, mas com serenidade. O comandante retirou o revólver do coldre e mandou parar aquele a quem chamou de “porco polonês”.

Um gesto de desobediência como esse teria sido o suficiente para a execução de muitos outros, no entanto, o sádico comandante não atirou em Frei Kolbe e o ouviu dizer: “Eu gostaria de morrer no lugar de um destes condenados…”. Em resposta, sem compreender tal atitude, o comandante pergunta-lhe o porquê de querer ir no lugar de um outro. Então, São Maximiliano, para convencer o comandante, diz que está velho e que não serve mais para nada.

Após, quando lhe é indagado no lugar de quem ele queria ir, São Maximiliano Kolbe diz que no lugar daquele que tem mulher e filhos, o pai de família.

No bunker da fome, a principal missão do Frei Maximiliano era salvar a alma dos nove homens que estavam com ele, não permitir que morressem com ódio no coração. Ele rezava constantemente, cantava hinos de louvores a Deus e à Imaculada, e os gritos e maldições ouvidos nas celas vizinhas transformaram-se também em orações.

Durante todo o tempo que permaneceu no bunker, nunca era visto sentado ou deitado, mas apenas em pé ou de joelhos. Assistiu a cada um dos seus companheiros no momento da morte, dando-lhes esperança da vida eterna. Receberam a absolvição geral e tiveram suas almas encomendadas à Deus.

Após 14 dias no bunker, dia 14 de agosto de 1941, véspera da festa da Assunção da Imaculada, morrem os três últimos companheiros do Frei Maximiliano Kolbe, restando apenas ele ainda vivo, que por estar tão debilitado já não se aguentava em pé, nem de joelhos.

Vendo que o Frei ainda não havia morrido, o carrasco entra no bunker com uma seringa na mão e, nessa hora, ciente do que estava acontecendo, São Maximiliano estende-lhe o braço, dando a sua vida, com este gesto, para a salvação de muitas almas.

Um prisioneiro que exercia o ofício de coveiro, Borgowiec, depois relatou que os outros corpos estavam sempre imundos, mas o do Frei Kolbe estava limpo e até brilhava.

Franciszek Gajowniezek era o nome do prisioneiro, o pai de família, que foi salvo por São Maximiliano Kolbe. Ele morreu aos 93 anos, após presenciar a beatificação e canonização daquele sacerdote católico que lhe deu a vida.

A primeira lição aprendida da vida de São Maximiliano Kolbe é de que não existe caridade sem coragem. Uma pessoa caridosa, necessariamente, deve revestir-se de coragem. Não uma coragem qualquer, mas uma coragem que impulsiona o nosso coração e o nosso agir para algo muito superior ao que tínhamos imaginado num primeiro momento.

Essa coragem verdadeira nos faz suplantar limites dentro do nosso próprio interior. Com ela vencemos batalhas e conflitos que insistem em permear o nosso viver. É preciso coragem para amar. Todo amor exige sacrifícios em prol da pessoa amada, seja ela nosso familiar ou nosso amigo, quiçá até alguém totalmente desconhecido.

Por isso, a caridade é a mais bela expressão do amor. Através dela, enxergamos no outro uma alma digna de ser amada, um irmão que é imagem e semelhança de Deus e onde habita o Espírito Santo. E é essa toda a motivação para brotar um amor que não tem amarras, que tudo pode, tudo suporta.

A segunda lição aprendida é que a coragem exigida pela caridade necessita, impreterivelmente, de uma confiança inabalável. São Kolbe colocava toda sua confiança em Cristo Jesus e na Imaculada, pois, mesmo sabendo que haveria de sofrer, tinha segurança de que nunca seria abandonado. Mesmo quando estava sendo agredido, humilhado, com fome e sede, cansado, não tinha ódio no coração e tudo fazia para que seus amigos também não o tivessem. Tudo ele oferecia à Imaculada para a salvação das almas.

Ele repetia sempre: “Por Jesus Cristo, estou pronto a suportar tudo. A Imaculada está comigo e me ajuda!” E ainda que houvesse risco de castigos cruéis, atendia a confissão dos que a pedissem, dava a sua pequena porção de comida dizendo que os outros tinham mais fome que ele, animava todos com palavras ungidas e de confiança em Deus.

A terceira lição é o valor imenso de uma família para Deus, pela qual até um sacerdote doa a sua vida. É reconhecer a importância e dignidade de um pai e esposo.

Nossa família é tão preciosa que Deus não mede limites para mantê-la unida. Ele permite que os seus melhores santos sejam sacrificados por ela. Precisamos ter coragem de lutar pela nossa família e, acaso haja algum risco de perdê-la, rogar a Deus como fez o preso salvo por São Maximiliano. É no seio da família que a caridade verdadeira deve mais ainda transparecer, sacrifícios diários de amor entre marido e mulher, pais e filhos.

Quando ainda criança, Nossa Senhora apareceu para São Maximilano Kolbe e lhe mostrou  duas coroas, uma branca simbolizando a pureza, e outra vermelha, o martírio. Perguntou ao menino Kolbe qual delas escolhia e ele disse que ficaria com as duas. E foi assim que São Maximiliano morreu: puro e mártir.

Com sua vida dedicada a glorificar o nome de Nossa Senhora e de inteira entrega a Jesus Cristo, este Santo nos ensina a confiar, a ter coragem, porque a caridade é caminho certo de salvação.

Não há caridade sem coragem e nem coragem sem confiança.

Sejamos confiantes mesmo diante dos maiores problemas e dificuldades, ainda que insuperáveis.

Deus nos dará coragem se confiarmos Nele e, por consequência, a caridade abundará em nós.

Sagrado Coração de Jesus, nós temos confiança em Vós!

Fontes:

Vida de São Maximiliano Kolbe. Pe. Ivo Montanhese.

Conheça o homem que São Maximiliano Kolbe salvou de Auschwitz

A humildade é a verdade!

Lembra-te de que és pó e de que pó voltarás a ser. Na nossa origem e no nosso fim somos essencialmente o que verdadeiramente somos. Quando nascemos e quando morremos a verdadeira humildade encontra-se em nós. Durante a vida, a tentação da vangloria se aproxima em troca do reconhecimento dos homens, da sociedade e até de nós mesmos. E como também somos encantados pelo que o exterior nos comunica, temos muita dificuldade em analisar mais detidamente cada pessoa, cada fato, cada acontecimento para buscar sempre a sua essência e não se enganar apenas com o que os olhos podem ver. Os prazeres do mundo, a ganância sem fim, tudo isso nos leva a valorizar o que não tem valor algum diante de Deus. E querendo esses valores, mitigamos uma virtude que deveria nos guiar em todas as nossas ações, a humildade.

São Francisco de Assis nos ensina que o homem é o que ele é diante de Deus, nada mais. Em nossa essência, somos verdadeiramente o que somos diante do nosso Criador. O que os homens possam pensar de nós, o que a sociedade possa achar a nosso respeito, o que queremos que os outros pensem sobre nós, nada disso é a Verdade sobre o que realmente somos. E como a Verdade nos liberta, somente seremos verdadeiramente livres quando tivermos a consciência da nossa essência, do que nós somos, de quem verdadeiramente somos diante de Deus. Cientes da nossa verdade seremos felizes porque não mais nos importará o que os outros ou o que a sociedade possa pensar a nosso respeito. Não precisaremos mais de máscaras, podemos agir sem medo de mostrar ao outro o nosso eu verdadeiro.

“Diz-se que um certo passarinho, por nome tataranho, tem uma virtude secreta, no seu grito e nos seus olhos, de afugentar as aves de rapina e crê-se ser esta a razão da simpatia que as pombas lhe dedicam. Assim nós também podemos dizer que a humildade é o terror de satanás, o rei do orgulho, que ela conserva em nós a presença do Espírito Santo e de seus dons e que por isso foi tão apreciada dos santos e santas e tão querida dos corações de Jesus e de sua Mãe.”

No Magnificat, Nossa Senhora diz que o Senhor nela fez maravilhas porque “olhou para a humildade de sua pobre serva”.

As maravilhas de Deus somente podem habitar num coração verdadeiramente humilde e nisso devemos ser imitadores da Santa Mãe de Jesus.

Nosso Senhor Jesus Cristo, sendo Deus, humilhou-se ao fazer-se homem para carregar sobre si as nossas iniquidades.

Todos os santos de Deus nos dão exemplos de humildade.

A humildade verdadeira e sincera é essencial para que as portas do Céu se abram para nós.

São Francisco de Sales nos fala da humildade nas ações exteriores ao mesmo tempo que enfatiza que a humildade interior é a mais perfeita.

Para este querido santo, a virtude da humildade é contrária ao ato de nos vangloriarmos. Não há verdadeira humildade naquele que está sempre afetado a fazer aparecer o que tem por bem, buscando ostentá-lo e dele se ensoberbecendo.

Ao contrário, exalta a humildade aquele que se esvazia de si para que o Senhor preencha sua miséria com misericórdia, põe em Deus toda sua confiança e tudo o que faz é para mostrar a Sua onipotência em nossa fraqueza.

“O verdadeiro humilde não quer parecer que o é e nunca fala de si mesmo; a humildade, pois, não só procura esconder outras virtudes, mas ainda mais a si mesma”. É o que diz o nosso Santo no livro Filoteia.

E complementa: “Nunca abaixemos os olhos, sem humilharmos o coração; nunca procuremos o último lugar, sem que de bom grado e sinceramente o queiramos tomar. Essa regra é tão geral que não se pode abrir exceção alguma.”

Para sermos humildes, primeiramente, então, precisamos de sinceridade de coração. Precisamos desejar o último lugar, reconhecendo nossa pobreza e que se há algo de bom em nós foi Ele quem fez brotar por sua graça.

Um coração humilde não necessita de honrarias, de reconhecimentos, mas de caridade.

É no exercício da caridade, do amor ao próximo, que as virtudes escondidas pela humildade se revelam, pois a caridade, “não sendo uma virtude humana e mortal, mas celeste e divina e o sol das virtudes, deve sempre dominar sobre todas; de sorte que, se a humildade prejudica a caridade em alguma coisa, é, sem dúvida, uma humildade falsa.”

A perfeição da humildade consiste por isso em preferir o próximo a nós mesmos, justamente porque reconhecemos em nós nossas próprias falhas, baixeza e mesquinhez, nossas fraquezas e abjeções.

Além de reconhecê-las em nós, diz o Santo, devemos até amá-las, pois permitem que exercitemos uma verdadeira humildade diante do nosso irmão.

E sempre que as cometermos, devemos ainda aceitá-las como elas são, com toda sua humilhação e, principalmente, assim que possível e se possível, repará-las; rejeitando assim o pecado com indignação e conservando, com humilde paciência, a nossa abjeção no coração para que nela nos edifiquemos.

O amante da humildade deve ainda conservar sua boa reputação, não porque ela seja um bem desejável em si mesma, mas porque “serve de ornamento à nossa vida e muito nos ajuda a conservar as virtudes”.

E não se trata apenas de manter uma boa reputação, mas de ser em verdade aquilo que os outros julgam de nós.

Por outro lado, a alma verdadeiramente cristã não se pode inquietar por qualquer coisa que se diga sobre si, sob pena de colocar de lado a virtude da humildade para conservar a reputação, sendo aquela muito mais valiosa que esta.

A humildade é a verdade, segundo Santa Teresa D’Ávila. É a verdade que nos liberta. Somente a verdade sobre nós e sobre Deus nos torna verdadeiramente humildes. É a verdade que permite nos reconhecermos pequenos e fracos diante da magnanimidade e glória de Deus.

A Ele e só a Ele devem ser dirigidos todos os louvores e glória. Tudo em nós é graça divina, desde a nossa primeira batida de coração no ventre materno até o último suspiro, quando, enfim, poderemos, pela bondade e misericórdia de Deus, vivermos na eternidade.

Nesse tempo de Quaresma, podemos buscar a conversão do coração à humildade perfeita. Amar ao próximo com todo o valor que ele tem por ter sido criado à imagem e semelhança de Deus e porque, sendo pecadores, necessitamos redimir e reparar cada uma de nossas iniquidades, sempre com confiança no Cristo Crucificado, Caminho, Verdade e Vida.

Santa Faustina Kowalska escreveu que as graças da misericórdia divina são colhidas com o vaso da confiança em Cristo e que “Quanto mais a alma confiar, tanto mais receberá”.

Vamos seguir este tempo de contrição, com extrema confiança em Jesus Cristo, exercitando a humildade sincera em cada um dos nossos pequenos atos, nas ações comuns do dia a dia, colocando em tudo amor e compaixão, por nossos pais, filhos, irmãos, amigos, desconhecidos.

Amar sempre e mais, sem vanglória e sem vaidade. Só por amor, amor ao Cristo traído, preso, flagelado, cuspido, coroado com espinhos, pregado numa Cruz, ridicularizado, faminto e com sede.

Só por amor ao Cristo que não deixou de ser quem era porque foi vilmente tratado.

Só por amor ao Cristo que deu a vida para nos salvar.

Só por amor ao Cristo que venceu a morte, ao Cristo Ressuscitado, Deus Vivo, Deus Conosco!

 

Ana Catarina e Giselle Draeger

Fonte: Introdução à vida devota (Filoteia) São Francisco de Sales.

Eis que faço nova todas as coisas

Eis que mais um ano se iniciará e a esperança de viver melhor se renovará.

Muitos são os desejos, mas com eles diversos também são os desafios.

Nos despedimos do ano que se vai, e nunca mais voltará, contemplando a Sagrada Família de Nazaré, que tem no seu centro o Menino Deus recém-nascido.

Recepcionamos o ano que surge com as bençãos da Santa Mãe de Deus, Rainha da Paz!

O ano que começa traz para nós a oportunidade de seguir mais ainda em direção ao Senhor, buscar os caminhos que nos levará ao Céu.

Viver cada dia como se fosse o último, sem rancores, sem tristeza, sem divisão, sem medo.

Viver cada dia como se fosse o último, com perdão, com alegria, com união e com coragem.

Como diz Santo Afonso de Ligório, não sabemos se esse novo ano será o último vivido nessa terra.

Lembremos também de Santa Teresinha que dizia “Só tenho hoje”.

Podemos segurar a mão de Jesus, que se estende para não nos deixar afundar no agitado mar da nossa vida.

Ocupar-nos de corpo e alma daquilo que nos santifica, executando o mandamento do amor.

Amar a Deus com todo o seu coração e o próximo como a ti mesmo.

Não se pode amar a Deus se não se ama o seu irmão e por isso o mandamento do amor ao próximo é o primeiro na ordem de execução.

Amar o próximo é doar-se inteiramente e toda doação exige sacrifícios.

Jesus doou a sua vida por nós, sacrificou-se para nossa redenção. Ele nos deu o verdadeiro testemunho do Amor. É assim que devemos amar a todos, sem limites, com justiça e retidão, com perdão e mansidão.

Amar certamente não é fácil, não é uma brincadeira. Quanto mais se ama mais disposição se tem para sofrer pelo amado.

Jesus não quer que amemos somente os amigos, mas principalmente os inimigos. Esta é a marca do autêntico cristão: ter a capacidade de amar mesmo não concordando com os erros do outro, pois se ama a alma, a criatura de Deus, e não o seu pecado.

Amar sempre e mais deve ser a busca incessante de todo cristão, pois “Bem aventurados os puros de coração porque verão a Deus”. (Mt. 5, 8).

O ano que se inicia permite um recomeço no amor como prova de que o Amor necessita ser amado.

Podemos sim acolher o Cristo que faz novas todas coisas, que vence a morte e faz triunfar o amor.

Que nos primeiros momentos de 2018 possamos rezar com nosso coração contrito, como ensinou Nossa Senhora aos pastorinhos em Fátima, quiçá até de joelhos:

“Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos, peço-Vos perdão pelos que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam”.

Fonte: Meditações: Para todos os dias e festas do ano: Tomo I. Santo Afonso Maria de Ligório.

Quem não há de amá-Lo?

estrela de belém

Quando alguém nos faz uma promessa costumamos esperar que honre, cumprindo o que se dispôs a fazer. A promessa gera em nós uma expectativa e uma esperança. Podemos dizer até que a promessa, por si só, é capaz de nos trazer alegria.

Deus prometeu ao seu povo que iria enviar seu próprio Filho para nos salvar. O Messias enviado seria a nossa redenção por tantos erros, por tantas faltas, pelo pecado que nos trouxe a morte, a escuridão. Jesus veio trazer a luz para dissipar as trevas, cumprindo a promessa de Deus conforme anunciaram os profetas.

Hoje nasceu para nós o Salvador!

Se a promessa, por si só, é capaz de nos alegrar, quanto não devemos festejar quando essa promessa se cumpre com a encarnação do Filho de Deus que se faz homem como nós para nos salvar.

O céu inteiro se alegrou e convidou os pastores a dar glória a Deus nas alturas porque chegou a paz na terra aos homens de boa vontade! Jesus veio para nos anunciar que o Reino de Deus está próximo de nós! E os anjos entoaram muitos cânticos de louvor pelo nascimento de Jesus hoje! Por que nós também não havemos de nos alegrar e nos unir ao céu nesse sentimento de euforia?

O céu e a terra se unem neste dia. Deus se faz homem por amor, por um amor infinito pela humanidade. Maria dá a luz ao menino Jesus e tem em seus braços um mistério de redenção, um bebê que é carne de sua carne, que tem seu sangue em suas veias e que, ao mesmo tempo, é Deus. Um menino que deve ser adorado por toda a humanidade, que é a promessa de Deus para nossa salvação.  Como lidar com esse mistério? Os olhos estão vendo seu filhinho que acabou de nascer mas o coração lhe diz que esse é o Messias tão esperado pelo povo de Deus. Ele é o Rei dos Reis e está ali a sua frente tão frágil, precisando de cuidados, precisando de alimento e de colo. Como ninar o Cristo, o filho do Deus vivo? Maria tinha a sensibilidade e o discernimento necessários para cuidar de Jesus porque confiava plenamente na Palavra de Deus e tinha uma fé inabalável.

Deus, em seus mistérios, prefere a simplicidade e a pobreza. E, sendo assim, confunde os poderosos e se assemelha aos pobres, àqueles mais necessitados. Vendo a cena do nascimento do Cristo em um estábulo, penso no que Deus nos quer ensinar e sinto a necessidade de levar sempre essa simplicidade para a minha vida, para a vida de minha família. A noite sagrada, a noite santa, a noite feliz que o mundo inteiro recorda nesta data foi despida de qualquer estrutura necessária para o nascimento de uma criança e aconteceu de um modo que ninguém, por mais humilde que fosse, pudesse imaginar. Nosso Deus ultrapassou todos os limites da pobreza ao permitir que seu filho nascesse numa manjedoura, no frio, envolto em faixas, cercado por animais.

Deus vê o coração humano e nele quer fazer sua morada. Nada lhe é mais importante.

Ele quer nascer num coração pobre, humilde e disposto a ouvir a voz divina, assim como o daqueles pastores que, presenteados com o louvor angelical, correram para ver o Rei, o Salvador. Assim como o coração dos reis magos que, vindo de terras distantes, reconheceram-se como nada diante do Menino, verdadeiro Rei.

Assim como o de Maria e de José que, na simplicidade de um profundo silêncio, apenas amaram com todo o seu ser o Filho que lhes foi dado.

É o nosso Deus Menino que vem para ser amado, adorado e glorificado.

É o nosso Deus Menino que vem nos ensinar a amar mesmo no sofrimento da Cruz.

Envolto em faixas, aquecido pelo seio amoroso de sua mãe, o Deus Menino dorme na paz de uma Noite Feliz. E nos ensina que uma noite é plenamente feliz mesmo numa manjedoura, no frio, na humildade, na verdadeira pobreza. Mesmo que os olhos e o coração humano não consigam ver ou compreender porque naquele nascimento havia tanto o que se alegrar depois de tantos fracassos em busca de um lugar mais digno para o nascimento do Rei.

Jesus escolheu nascer numa família e com isso nos mostra o Seu desejo de reinar em todas as famílias, de ser o Amor que as une, de ser o sentido que as conduz, porque Ele quer que todas as famílias sejam Dele, famílias de Jesus.

Vinde e adoremos o Salvador! Peçamos sua paz, sua beleza, sua pobreza, para o nosso coração, para nossas famílias.

Permita que o Menino Deus more em seu lar, pois, Ele inundará sua vida de Amor, como inundou a terra nesta noite santa.

Busque-o, como fizeram os Reis Magos. Pois, conhecendo-o, quem não há de amá-Lo?

Ele tem uma promessa de vida eterna para nós e essa promessa, por si só, é o motivo de nossa alegria. A cruz nossa, de cada dia, não deve nos afastar dessa certeza, pois nem imaginamos o quanto nos aproxima, mais ainda, dessa promessa.

Vinde e adoremos o Salvador! Sejamos famílias de Jesus, do Menino Rei, nosso maior Amor.

Um milagre que continua

nossa senhora guadalupe              medalha-milagrosajpg9572012181221

Olá. Estava com saudades de escrever aqui. Queria muito ter escrito nos dias 27 de novembro e 12 de dezembro recordando, respectivamente, as aparições de Nossa Senhora em Paris, a Santa Catarina Labouré, no ano de 1830 e, no México, ao índio Juan Diego, no ano de 1531.

Tenho um carinho muito especial por Nossa Senhora das Graças e a medalha milagrosa porque é a primeira devoção de que me recordo, tendo início ainda quando criança. Como meu nome é Catarina, isso deve ter ajudado a criar esse laço de amor e carinho com esse acontecimento particular, juntamente pelo fato de trazer sempre comigo a medalha milagrosa que me impressiona desde criança pela denominação decorrente dos inúmeros milagres realizados. “Por meio da medalha foram alcançados tantos milagres que o povo a denominou de Medalha Milagrosa”.

Meu casamento foi no dia 27 de novembro de 2004, abençoado e protegido pela Mãe das Graças. Considero meu matrimônio mais uma das infinitas graças que já me foram concedidas por tão bondosa Mãe.

Nossa Senhora de Guadalupe é uma aparição que me encanta pelo mistério inexplicável do milagre que não terminou. Assim como o povo mexicano, a imagem é belíssima e tem um colorido muito atraente. Gosto muito das cores, dessa beleza que traz em si os traços do lugar que Nossa Senhora visitou. O título de hoje seria o do post do dia 12 de dezembro que não consegui escrever.

Mais uma vez, assim como em Aparecida e no Rio Potengi, Nossa Senhora no México se apresenta aos mais humildes e pobres.

Eu te agradeço, ó Pai, por ter escondido estas coisas aos sábios e inteligentes e tê-las revelado aos pequenos e aos humildes” diz Jesus.

Deus vê sempre o coração, Deus vê a essência. Só os humildes estão livres de distrações que perturbam o coração e não permitem que Deus em nós seja pleno, faça sua morada.

O grande milagre de Nossa Senhora de Guadalupe continua porque se traduz na própria imagem gravada há quase cinco séculos em tecido feito de cacto que se deteriora em menos de vinte anos. Analisada por vários peritos em química e em pintura, a imagem é um mistério insondável. Ampliada, observa-se a figura de Juan Diego, do Bispo e do intérprete refletida e gravada nos olhos do quadro de Nossa Senhora como nos olhos de alguém se reflete aquilo que se vê.

Tanto no México quanto em Paris, o céu nos deixa imagens gravadas para também gravarmos em nosso coração a Virgem Maria que já nos tem gravados em seu olhar.

Não tinha planejado escrever neste dia até ter ido a missa hoje pela manhã agradecer por um milagre que também continua acontecendo a cada minuto na minha vida e na vida de minha família. Meu milagre perene se chama Miguel Ângelo, meu primeiro filho, que há oito anos, numa confraternização de nossa família, entrou na piscina sem que ninguém percebesse e foi encontrado já boiando emborcado, sem batimento, sem respiração, já roxinho.

Ele tinha dois anos e eu estava com Rafael, com dez meses, nos meus braços. Ele foi socorrido por um anjo de Deus, pediatra, meu primo querido, que, mesmo em condições bem desfavoráveis, não desistiu de lutar para reanimá-lo. Continuou insistindo e, pela Graça de Deus, ao som das palavras pronunciadas pelo Arcanjo Gabriel à Virgem Santíssima, meu Miguel voltou à vida! E voltou com muita alegria e plenitude porque Deus não faz nada pela metade.

Todos os abraços, as risadas, os choros, as vitórias comemoradas, cada gol que ele faz é  uma graça de Deus. É um milagre que se perpetua no tempo e que está aqui na nossa frente, inexplicável e insondável. Um daqueles raios que saem das mãos de Nossa Senhora gravada na medalha milagrosa desceu sobre Miguel no dia 20 de dezembro de 2009 quando, ao som da oração do anjo Gabriel, pedíamos ao céu socorro para que nos livrasse de sua morte. Não tenho dúvida alguma de que todos que estavam ao redor daquela piscina, suplicando por um milagre, pedindo pela vida daquela criança, estavam também refletidos no olhar da Virgem de Guadalupe.

E Deus mais uma vez nos concedeu a vida de Miguel!

Nossa Senhora disse a Santa Catarina Labouré que tem graças infinitas para derramar sobre a humanidade, mas as pessoas não pedem. Nossa Senhora disse que suas mãos se estendem sobre a terra com o peso das graças a serem derramadas, como a imagem da medalha. Peçamos, peçamos, peçamos as graças que elas virão até nós. Tenhamos fé.

“A Santíssima Virgem disse-me: ‘Eis o símbolo das Graças que derramo sobre todas as pessoas que mas pedem …’ Formou-se então, em volta de Nossa Senhora, um quadro oval, em que se liam, em letras de ouro, estas palavras: ‘Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós, que recorremos a Vós’. Depois disso o quadro que eu via virou-se, e eu vi no seu reverso: a letra M, tendo uma cruz na parte de cima, com um traço na base. Por baixo: o Sagrado Coração de Jesus e o Sagrado Coração de Maria. O de Jesus, cercado por uma coroa de espinhos em chamas, e o de Maria também em chamas e atravessado por uma espada, cercado de doze estrelas. Ao mesmo tempo, ouvi distintamente a voz da Senhora, a dizer-me: ‘Manda, manda cunhar uma medalha por este modelo. As pessoas que a trouxerem, com devoção, hão de receber muitas graças”.

Disse Nossa Senhora de Guadalupe a Juan Diego:

“Escute, meu filho, não há nada que temer, não fique preocupado nem assustado; não tema esta doença, nem outro qualquer dissabor ou aflição. Não estou eu aqui, a seu lado? Eu sou a sua Mãe dadivosa. Acaso não o escolhi para mim e o tomei aos meus cuidados? Que deseja mais do que isto? Não permita que nada o aflija e o perturbe. Quanto à doença do seu tio, ela não é mortal. Eu lhe peço, acredite agora mesmo, porque ele já está curado.”

E, por fim, hoje aprendo mais uma vez que devemos sempre confiar em Deus e nunca nos entristecer se algo não saiu exatamente como queríamos ou planejamos.

Deus sempre tem ideias melhores e, quando menos esperamos, um milagre acontece!

 

Toda pulcra és Maria!

Oh Maria, para mim não era necessário que, em 1854, o Papa Pio IX tivesse proclamado o dogma da tua Imaculada Conceição.

Também não era necessário que, 04 anos depois, em sua aparição em Lourdes, na França, a Senhora tivesse dito que seu nome era “Imaculada Conceição”.

Bastava-me a anunciação do anjo Gabriel para saber essa verdade.

Deus não seria gerado num ventre onde o pecado pudesse ter habitado.

Deus não nasceria na impureza.

Deus não seria amamentado em seios indignos.

Deus não cresceria num lar sem santidade.

O Menino Deus escolheu nascer de ti. Escolheu ser amado por primeiro por teu coração.

Em silêncio, em tua pureza santa, foste a primeira morada do Senhor nesta terra.

Ele quis o teu sim e te preparou para recebê-Lo.

Providenciou que a triste mancha do pecado original, que nos retirou do Paraíso, não te alcançasse.

Ele queria nascer de ti, queria ser obra do teu amor.

E, para isto, precisava que fostes toda pura, pois não poderia ser diferente com aquela que viria a carregá-Lo por nove meses e Dele cuidaria por toda vida.

Refletindo sobre tudo isto, não consigo deixar de admirar mais ainda o Bom José, teu santo esposo, bondoso pai do Menino Deus.

Imagino o coração de José enchendo-se do mais puro amor olhando para ti, carregando o Nosso Senhor.

José, certamente, compreendeu quão pura eras, para que Deus a tivesse escolhido para ser Mãe do Salvador.

Ele também não precisava de nenhuma confirmação de que eras imaculada desde a concepção.

Os fatos já falavam por si.

Olhando nos teus olhos, ouvindo a tua voz, sentindo o Menino Deus mexer-se em teu ventre, tudo isso era suficiente para o Bom José ter certeza da sua conceição imaculada.

E assim, mãe santíssima, desejo te amar, sabendo que em ti o pecado nunca habitou, o mal nunca teve vez.

Sempre fostes de Deus, consagrada desde todo o sempre, desde quando estavas nas entranhas de tua mãe.

E que essa verdade permeie o coração de muitos, assim como habitava no coração de São José.

Que não sejamos ingratos com o Menino Deus por não amar a sua mãe como ela verdadeiramente merece.

Honremos Maria, imaculada, santa, toda pulcra!

“Onde essa imagem chegar, nenhuma desgraça acontecerá!”

apresentaçao

Também aqui em Natal Nossa Senhora quis fazer morada.
Veio com as ondas do mar e foi encontrada por humildes pescadores. Trazia uma mão estendida, parecendo que sustentava algo, e, no colo, trazia o seu filho.
A mão estava vazia, mas foi unanimidade entre todos que naquela mão haveria de ter um rosário que certamente caiu na imensidão do mar. O que significava, então, este fato?
A imagem da Virgem foi encontrada escondida dentro de um caixote, no dia 21 de novembro, na margem direita do rio Potengi, encalhada entre as pedras e na confrontação com a Igreja do Rosário que havia sido erguida pelos negros, muitos escravos, por amor à Santa Mãe do Céu.
As coisas de Deus não são coincidências, e sim providências.
Então, o que significa Nossa Senhora ser encontrada no dia consagrado pela Igreja à sua apresentação ao Templo por seus pais?
E mais ainda, por que ela quis ser encontrada na confrontação da Igreja dos pobres e por humildes pescadores?
É algo que não pode passar despercebido entre os fiéis dessa Santa e bondosa Mãe.
Assim, meditando todas essas circunstâncias especiais de sua aparição, penso que a Virgem quer ser encontrada por todos, mas aqueles que tem um coração humilde a encontrarão mais facilmente.
O nosso coração humilde é o que nos instiga a desvendar o mistério da nossa salvação que veio através de uma corajosa mulher. Precisamos abrir os caixotes da nossa alma para compreender que, em tudo, Jesus quis ter uma mãe por perto, para gerá-lo, amamentá-lo, educá-lo, ouvi-lo e fazer sua vontade.
Não são as mães as primeiras a querer satisfazer todas as vontades de seus filhos? Por que seria diferente com Maria?
Na confrontação da Igreja do Rosário dos Pretos, Nossa Senhora foi achada num simples caixote. Este fato também nos faz crer que Maria quer dizer que ela é mãe de todos, independentemente de qualquer condição desta vida. Ela está aqui entre nós e quer atender nossas necessidades junto ao menino Jesus que traz em seu colo, seu filho amado, seu filho querido.

E a mão estendida sem o Rosário? Somos nós quem devemos colocar um rosário em suas mãos. Somos nós quem devemos lhes dar as rosas, recitar muitas Ave-Marias para ela, pois “o Senhor é convosco” e “bendita sois vós entre as mulheres”.
E no dia consagrado à sua apresentação ao Templo? Sim, porque Maria quer mostrar que, desde todo o sempre, ela só pertenceu a Deus e é diante dele que quer ter erguido o seu trono, ao seu lado direito, pois às margens direita do imenso rio Potengi foi revelada para o povo sofrido destas terras.

Ela também nos apresenta Jesus: Caminho, Verdade e Vida!
E nos ensina a vê-Lo em todos os que precisam de nós, nos ensina a ter olhos para ver, ouvidos para ouvir e coração para sentir a dor daqueles que mais sofrem bem perto de nós. A Mãe nos ensina a esquecer a nossa dor, o nosso sofrimento e partir em direção dos nosso irmãos exatamente como fez Jesus, especialmente quando, no caminho do Calvário olhou para as mulheres que choravam e as consolou.

Vinde Virgem da Apresentação e do Rosário habitar em nossos corações humildes! Temos muitas rosas para te oferecer. É ao seu Menino que queremos seguir, ouvir e fazer a vontade, como também fizeste, bondosa Senhora.

“Onde essa imagem chegar, nenhuma desgraça acontecerá!”

Fonte: http://arquidiocesedenatal.org.br/padroeiro

Todos podemos ser Santos

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Deus, que nos criou, nos chama à santidade!

Jesus mesmo nos disse: Sede Santos, como o vosso Pai celeste é Santo. Se Jesus nos deu esta ordem, ela é possível de ser cumprida! Deus não iria nos inspirar algo que não estivesse ao nosso alcance. Precisamos acreditar que isso é possível! E lutar para vencer o que dentro de nós impede que a graça de Deus se manifeste em nossas vidas e na vida daqueles que estão perto de nós ou mesmo bem distantes, pois, hoje, temos recursos que nos permitem levar boas notícias ao mundo inteiro sem precisar sair do lugar.

Assim como cada um de nós é único neste mundo, também é única a forma de corresponder a esse chamado. Nenhum santo é igual ao outro. Por isso, para sermos santos podemos nos inspirar nos grandes exemplos que temos em nossa Igreja para vermos como eles lutaram e foram fortes e, ainda, como eles também tinham fragilidades que se transformavam em fortaleza para a Glória de Deus.

No entanto, devemos ter sempre a consciência de que podemos ser santos vivendo o nosso dia-a-dia, na forma como Deus nos chamou, com os desafios que nos são propostos a cada manhã. Precisamos entender que não é preciso viver exatamente como viveram os santos para corresponder ao que Deus quer de nós, mas devemos viver buscando seguir com fidelidade o Evangelho, o que Deus inspira em nossas orações, o que nosso coração anseia. Silencie, ouça a voz de Deus falando em seu coração.

Buscar seguir o que Deus ensina em todos os momentos de nossa vida, estar atento à Sua voz, lutar sempre contra o mal, buscar o caminho da perfeição, doar-se a Deus, amá-Lo por inteiro com toda a nossa força e com toda a nossa alma, exercitar a humildade, a obediência, a paciência, a caridade. É o que aprendemos com os santos e como somos chamados a viver!

Dom Bosco nos ensinou que a santidade consiste em: Ser alegre, cumprir bem os seus deveres e amar os irmãos.

Se Deus nos inspira a santidade, ela é possível! Muitos conseguiram e hoje estão na Glória de Deus. Temos muitos amigos no céu esperando por nós e nos ajudando na batalha.

Vamos combater o bom combate, completar a carreira e guardar a fé. A coroa da Justiça nos espera!