Sempre caminhando

Viver uma vida conforme a vontade de Deus e tentar ser santo a cada dia não é uma tarefa fácil.

Os desafios são inúmeros e gigantes. A nossa própria vontade tende a prevalecer com tanta frequência em detrimento da vontade de Deus que às vezes chega a desanimar. Somos imensamente fracos. Nossas próprias forças são insuficientes para vencer o nosso amor próprio e deixar que o amor a Deus venha sempre em primeiro lugar, desde a menor das coisas até os grandes feitos.

São muitos os momentos em que nos sentimos incapazes e a disposição de mudar nos falta.

Uma coisa é certa, entretanto, quando nos agarramos em Deus, não conseguimos desistir de vencer as batalhas que nos são postas.

Caímos para sempre nos levantar, nos levantamos para sempre continuar a caminhada e caminhamos para chegar ao Céu.

Nessa vida, viveremos essa dicotomia de querer ser de Deus e fazer sua vontade, mas de ainda estarmos presos a nossa própria vontade.

Que tenhamos sabedoria para discernir aquilo que devemos mudar em nós e assim crescer espiritualmente, sem vaidade ou falsidade.

Somos aquilo que Deus vê em nós, nada mais.

Deus, só Deus, vê a integralidade do nosso ser. Enxerga lá no fundo da nossa alma, conhece todos os nossos erros e sabe o caminho que devemos seguir para extirpá-los do nosso interior.

É uma caminho que passa pelo autoconhecimento, pelo arrependimento sincero e pela decisão de perseverar na vida nova.

“Eis que faço novas todas as coisas!” (Ap 21, 5), disse o Cristo.

Haverá sempre esperança se tivermos fé em Jesus, pois Ele seguramente vai nos mostrar o caminho se assim o pedirmos.

“Vem, Senhor, faz coisas novas em nós e muda o nosso interior.

Como um vaso na mão do oleiro, molda nossa vida conforme queres e nos ensina a confiar na sua vontade, que sempre, sempre, será a melhor para nós.

Vamos avante, seguindo os passos de Nosso Senhor, o nosso único salvador.”

Nos passos do Anjo da Juventude

Deus permitiu que as graças advindas da beatificação de Carlo Acutis chegassem até o nosso site famílias de Jesus.
Durante a cerimônia de beatificação, que se deu no dia de hoje, nosso coração se inflamou e teve a sensibilidade de perceber a necessidade de retomada desse meio de evangelização.
É urgente e muito necessário utilizar as redes sociais, a internet para levar a todos a Boa Notícia! São esses os telhados de hoje, dos quais nos devemos utilizar para proclamar o Evangelho.
Vê-se que em poucos dias tivemos notícias tão inspiradoras e iluminadas relacionadas a vida de um adolescente, santo, que viu como seria proveitoso para a salvação de muitos o conhecimento dos milagres eucarísticos por meio da reunião de informações na internet.
Mas, bem mais do que o conhecimento de milagres eucarísticos, as redes sociais nos levaram a conhecer uma vida de santidade, possível de acontecer em pleno século 21.
A vida de uma criança que não quis esperar muito para receber a Eucaristia. Apressou-se pela consciência que tinha da presença indiscutível de Jesus na sagrada comunhão.
E, desde então, todos os dias participava da Santa Missa, recebia Jesus Cristo na Eucaristia e ia se pondo a caminho do céu!
E esse caminho, não trilhava sozinho. Arrastava a muitos que viam na sua originalidade, na sua convicção de fé e no seu exemplo de amor e de compaixão com os pobres – inspirado pelo Irmão de Assis – um grande exemplo a ser seguido.
Hoje somos nós que, por meio das redes sociais, podemos ir atrás de Carlo, no mesmo caminho, na mesma estrada, participando com devoção da Santa Missa, Comungando, Confessando, Recitando o Rosário e levando Jesus a todos os que de nós se aproximam para podermos juntos chegar ao fim desta estrada, ao Céu.
Não perder um minuto que seja em coisas que desagradam a Deus, pedir a Deus a vontade de ser santos, ter como projeto de vida estar sempre com Jesus são alguns dos ensinamentos do nosso amado Beato Carlo Acutis que precisamos seguir para acompanhá-lo nessa estrada que leva ao céu.

Amizade bendita

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Existe um bem de valor imensurável capaz de nos elevar e conduzir para mais perto do bom Deus. Esse bem é preciosíssimo e quem o encontra tem a certeza que é um verdadeiro tesouro.

São as amizades cultivadas não apenas pelas mais sublimes virtudes, mas as que têm como pedra fundamental o mesmo amor a Deus.

São Francisco de Sales diz que uma amizade como essa “É excelente, porque vem de Deus; excelente, porque Deus é o laço que a une; excelente, enfim, porque durará eternamente em Deus.”

Complementa o Santo que não se trata de um simples amor cristão que devemos a nosso próximo, e sim de uma amizade espiritual, por meio da qual amamos já aqui na terra aquilo que se amará no Céu, aprendendo a amar aqui as coisas como as amaremos na vida eterna.

Os primeiros cristãos devotavam um para o outro tal preciosa amizade.

São Lucas refere-se a eles dizendo que “A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma” (At 4, 32).

Assim, a fé de um alimentava a do outro e a coragem de um era a do outro. Eles dividiam entre si todos os bens e aflições porque era de Deus que, juntos, extraíam suas forças.

São Lucas afirma, ainda, que “Em todos eles era grande a graça” (At 4, 33).

Não lhes faltava nada porque a bondade e misericórdia de Deus, vendo a união sincera e a grande amizade dos seus, fazia transbordar sobre eles toda a graça.

A amizade devotada a Deus, meus irmãos, caminha em passos seguros e vence os mais dolorosos desafios. A oração de um amigo é o presente mais valioso que alguém pode ter.

Quando Pedro foi preso por Herodes, “a Igreja orava sem cessar por ele a Deus” (At. 12, 5) e, após ser libertado pelo Anjo de Deus, “dirigiu-se para a casa de Maria, mãe de João, que tem por sobrenome Marcos, onde muitos se tinham reunido e faziam oração” (At 12, 12).

Uma amizade como essa é remédio de vida e imortalidade (Eclo 6, 15). Ela é moldada pelo Espírito Santo e resiste, justamente por isso, a toda e qualquer intempérie.

Todas as outras formas de amizade, de fato, também são importantíssimas e não devem ser negligenciadas. No entanto, a amizade que tem como pilar o amor a Deus é grandiosa porque transpassa todas as barreiras e permanece vívida inclusive após a morte, continua no Céu e persiste por toda eternidade.

Aqueles que vivem no mundo necessitam cultivar amizades santas para que um incentive o outro e, unidos, possam seguir firmes no caminho.

Perfeita é a explicação de São Francisco de Sales para todos os que enfrentam os mais diversos desafios nesse mundo: “os que vivem no século, onde há tantas dificuldades a vencer para ir a Deus, parecem-se com os viajantes que andam por caminhos difíceis, escabrosos e escorregadiços, precisando sustentar-se uns nos outros para caminhar com mais segurança”.

Lembro, neste momento, dos pastorinhos de Fátima. Especialmente quanto ao fato de Nossa Senhora ter escolhido essas três criancinhas para transmitir sua mensagem e que juntas nutriram a mais bela e santa amizade para atender o desejo da Santíssima Virgem. Unidas por laços amorosos do nosso Boníssimo Deus, ajudaram-se mutuamente no caminho, partilharam penitências e orações, uma contribuindo para que a outra se aproximasse cada vez mais da santidade. Não bastasse, trouxeram para essa amizade bendita cada um daqueles pecadores por quem rezavam, mantendo com eles, do mesmo modo, relações profundas de uma amizade espiritual.

Outro exemplo de amizade do Céu e para o Céu é o de São Francisco e de Santa Clara. Tendo o coração aquecido pelo amor que São Francisco dedicou a Deus, Santa Clara seguiu este mesmo caminho de consagração total a Jesus Cristo e à Igreja Católica. O seu amigo Francisco foi quem lhe cortou os cabelos, transmitindo-lhe a força para perseverar na decisão tomada.

Mais uma riquíssima amizade que pode ser testemunhada é a de Santa Teresa d´Ávila e de São João da Cruz, que se fortaleceram continuamente na fé e na espiritualidade, reformando a ordem Carmelita num caminho de perfeição.

Benditos são aqueles que possuem amigos assim porque “nada é comparável a um amigo fiel” (Eclo 6, 15).

O Nosso Senhor Jesus Cristo nos deu a conhecer todas estas coisas. Revelou para nós que Ele é a videira e nós somos os seus ramos. Se permanecemos Nele, Ele permanecerá em nós e aí daremos muitos frutos, porque o ramo não pode dar frutos por si mesmo.

É isso, amigos, somos muitos ramos da videira que é Nosso Senhor e, quanto mais estamos Nele, mais frutos daremos. Seremos eternos amigos em Cristo e estaremos “presos por uma corrente toda de ouro”, como disse o querido São Francisco de Sales.

Jesus deixou bem claro para nós essa verdade quando disse “Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai. Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos constituí para que vades e produzas fruto, e o vosso fruto permaneça” (Jo 15, 14-16).

É esse amor, fundado em Jesus Cristo, a base da amizade que nos leva ao Céu. Uma amizade assim deve ser cultivada, acima de tudo, no nosso lar, com nosso cônjuge, filhos, irmãos e pais. No seio da nossa família deve imperar essa amizade bendita, em que cada um, apoiado em Cristo, se constitui em fortes ramos que frutificam e se apoiam verdadeiramente no Senhor de todas as coisas, todos com os olhos voltados para a vida eterna, presos por uma corrente toda de ouro.

Onde encontrarmos tal espécie de amizade, aí estará um dos nossos maiores tesouros. É onde teremos um porto seguro, uma mão a nos apoiar e cuja força sempre nos ajudará a levantar das quedas no percurso, pois “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15, 13).

A amizade cuja fonte é Cristo destina-se ao Céu e lá encontra o seu consolo. Podem vir tormentas e dores e ela continua inabalável. Ela alegra a alma e abrasa o coração porque, na verdade, amigos assim têm um só coração e uma só alma.

Referência:

São Francisco de Sales. Filoteia.

Presente do Céu

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Eis que diz o Salmista: “Os olhos do Senhor buscam os justos, inclina os seus ouvidos para ouvi-los.” (Sl 33, 17). É na oração que Deus nos encontra e se revela nos mais profundo da nossa alma. Quanto mais inclinados estivermos a ter este encontro, mais Deus se aproximará para ouvir a nossa voz. E, se esta voz proferir palavras que alegram a sua Santíssima Mãe, mais ainda Sua atenção nos será dirigida.

Uma poderosíssima arma para vencer o inimigo é, justamente, abraçar o santo Rosário. Nele e com ele, desvendamos os mais belíssimos mistérios e virtudes da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo e de Sua Digníssima Mãe.

São Luís Maria Grignion de Montfort pede que tenhamos o cuidado de não considerar a devoção do Rosário como pequena e ineficaz, como alguns ignorantes e, até mesmo, vários sábios orgulhosos. Segundo o santo, “Foi o céu que no la-deu, e deu-a para convertermos os pecadores mais endurecidos e os hereges mais obstinados. Deus associou a ela a graça nesta vida e a glória na outra”.

A cada repetição da saudação angélica o coração da Virgem Maria sente mais uma vez a alegria imensa que sentiu quando da aparição do anjo para anunciar-lhe que seria a Mãe do Salvador. Quando Maria Santíssima ouve seus filhos dizendo “Bendita sois vós entre as mulheres, bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus”, ela exulta declamando: “Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito se alegra em Deus, meu salvador, porque olhou para a humildade de sua pobre serva. De agora em diante, todas as gerações hão de chamar-me de bendita”.

Nesse diálogo profundo, criamos um elo indestrutível com o que é bom e santo e o nosso coração converge cada vez mais para o de Deus.

Já na sua época, São Luís Maria Grignion de Monfort registrava que “Enquanto, a exemplo de São Domingos, os pregadores pregavam a devoção ao santo Rosário, a piedade e o fervor floresciam nas ordens religiosas que observavam essa devoção e no mundo cristão; porém, desde que se tem negligenciado esse presente vindo do céu, por toda parte não temos visto senão pecados e desordens.”

Ora se não é exatamente o que estamos vendo acontecer em inúmeros lares! Com muito pesar, temos visto famílias que não mais encontram o caminho para que permaneçam unidas. Desistem facilmente das batalhas de todos os dias, mesmo que isso signifique o sacrifício de perder o maior presente que Deus lhes poderia dar: sua família.

Aquele que se une ao Rosário, entretanto, não será abandonado, pois à sua voz estará atento o Senhor Deus: “As aflições afluem sobre o justo, mas o Senhor de todas o liberta” (Sl 33, 20).

A oração levada ao Senhor pelas mãos de Sua Mãe torna-se ainda mais eficaz, diante do grande amor que Ele tem por ela. Coloquemo-nos como o apóstolo João que, de braços abertos, recebeu, como sua, a Mãe de Cristo.

Grande prova o auxílio da Mãe de Nosso Senhor em favor dos cristãos ocorreu em 07 de outubro de 1571, por ocasião da vitória da batalha de Lepanto, no mar da Grécia, quando a esquadra cristã, organizada pelo Papa São Pio V e comandada pelo Príncipe Dom João d´Áustria, venceu milagrosamente as forças muçulmanas que poderiam ter invadido a Europa e, consequentemente, subjugando o povo cristão. O Papa, além de determinar a bênção das armas dos soldados, pediu que todos levassem como arma mais forte o Santo Rosário. Eles eram minoria frente aos soldados turcos e, no entanto, após três horas de luta, saíram vitoriosos ao grito de “Viva Maria”! O domínio muçulmano era um risco real e grave ao cristianismo e, por intercessão de Nossa Senhora do Rosário, o pior não aconteceu. Além da recitação do Rosário, os soldados prepararam-se durante três dias com jejuns, orações e procissões.

A batalha de Lepanto é travada por nós em todos os instantes de nossa vida, nos diversos aspectos e circunstâncias que a envolvem. A qualquer momento, podemos nos deparar com o inimigo tentando dizimar a nossa fé, destruir a nossa alma e ter para si um território que devemos proteger e guardar para a habitação de Deus.

Não permitamos que o inimigo invada a nossa vida, nossa família e nossa pátria por falta da devoção ao santo Rosário. Erga muralhas, edifique sobre a rocha e construa uma fortaleza. Nossa Senhora há de nos ajudar.

Para São Luís Maria Grignion de Monfort, “Entre todos os modos de recitar o santo Rosário, o mais glorioso a Deus, o mais salutar à alma e o mais terrível ao diabo é salmodiá-lo ou recitá-lo publicamente em dois coros.”.

Imaginemos a força que não terá o Rosário recitado com humildade e devoção em família!

Acolhamos em nossas famílias esse grande presente do Céu e teremos a mais poderosa arma contra o mal.

Que as famílias iniciem tão gloriosa devoção e perseverem nessa santa virtude para que, unidas, encontrem Jesus e alcancem o Céu.

Nossa Senhora do Rosário, rogai por nós!

Referências:

O Segredo Admirável do Santíssimo Rosário. São Luís Maria de Grignion de Montfort.

https://cleofas.com.br/voce-conhece-a-historia-da-batalha-de-lepanto/

Caridade, coragem e confiança!

Há poucos meses, lendo sobre a vida de São Maximiliano Kolbe, tive uma aula prática sobre a caridade.

Ele era um sacerdote polonês que foi preso no Campo de Concentração de Auschwitz em virtude da influência que exercia, principalmente com a sua revista dedicada à Imaculada. De lá, ele pôde nos dar um dos maiores testemunhos da verdadeira caridade.

Eis que tendo fugido um preso do bloco 14, ao qual pertencia São Maximiliano Kolbe, foi dito que se ele não aparecesse até o dia seguinte à tarde, dez prisioneiros morreriam em seu lugar. Eles seriam enviados para o bunker da fome. Um lugar horrível, um pequeno quartinho subterrâneo, onde ficariam sem comida, sem água e sem roupa, até que a morte os viesse visitar.

Assim, após ficarem o dia inteiro em pé, no sol escaldante de julho de 1941, o comandante deu início a escolha dos prisioneiros e um deles saiu da fila, desesperado, chorando e gritando que tinha esposa e filhos e agora esses ficariam órfãos.

Os relatos descrevem que São Maximiliano Kolbe deixou o seu lugar na fila e olhou fixamente para o comandante, com seu corpo magro, fraco, abatido, mas com serenidade. O comandante retirou o revólver do coldre e mandou parar aquele a quem chamou de “porco polonês”.

Um gesto de desobediência como esse teria sido o suficiente para a execução de muitos outros, no entanto, o sádico comandante não atirou em Frei Kolbe e o ouviu dizer: “Eu gostaria de morrer no lugar de um destes condenados…”. Em resposta, sem compreender tal atitude, o comandante pergunta-lhe o porquê de querer ir no lugar de um outro. Então, São Maximiliano, para convencer o comandante, diz que está velho e que não serve mais para nada.

Após, quando lhe é indagado no lugar de quem ele queria ir, São Maximiliano Kolbe diz que no lugar daquele que tem mulher e filhos, o pai de família.

No bunker da fome, a principal missão do Frei Maximiliano era salvar a alma dos nove homens que estavam com ele, não permitir que morressem com ódio no coração. Ele rezava constantemente, cantava hinos de louvores a Deus e à Imaculada, e os gritos e maldições ouvidos nas celas vizinhas transformaram-se também em orações.

Durante todo o tempo que permaneceu no bunker, nunca era visto sentado ou deitado, mas apenas em pé ou de joelhos. Assistiu a cada um dos seus companheiros no momento da morte, dando-lhes esperança da vida eterna. Receberam a absolvição geral e tiveram suas almas encomendadas à Deus.

Após 14 dias no bunker, dia 14 de agosto de 1941, véspera da festa da Assunção da Imaculada, morrem os três últimos companheiros do Frei Maximiliano Kolbe, restando apenas ele ainda vivo, que por estar tão debilitado já não se aguentava em pé, nem de joelhos.

Vendo que o Frei ainda não havia morrido, o carrasco entra no bunker com uma seringa na mão e, nessa hora, ciente do que estava acontecendo, São Maximiliano estende-lhe o braço, dando a sua vida, com este gesto, para a salvação de muitas almas.

Um prisioneiro que exercia o ofício de coveiro, Borgowiec, depois relatou que os outros corpos estavam sempre imundos, mas o do Frei Kolbe estava limpo e até brilhava.

Franciszek Gajowniezek era o nome do prisioneiro, o pai de família, que foi salvo por São Maximiliano Kolbe. Ele morreu aos 93 anos, após presenciar a beatificação e canonização daquele sacerdote católico que lhe deu a vida.

A primeira lição aprendida da vida de São Maximiliano Kolbe é de que não existe caridade sem coragem. Uma pessoa caridosa, necessariamente, deve revestir-se de coragem. Não uma coragem qualquer, mas uma coragem que impulsiona o nosso coração e o nosso agir para algo muito superior ao que tínhamos imaginado num primeiro momento.

Essa coragem verdadeira nos faz suplantar limites dentro do nosso próprio interior. Com ela vencemos batalhas e conflitos que insistem em permear o nosso viver. É preciso coragem para amar. Todo amor exige sacrifícios em prol da pessoa amada, seja ela nosso familiar ou nosso amigo, quiçá até alguém totalmente desconhecido.

Por isso, a caridade é a mais bela expressão do amor. Através dela, enxergamos no outro uma alma digna de ser amada, um irmão que é imagem e semelhança de Deus e onde habita o Espírito Santo. E é essa toda a motivação para brotar um amor que não tem amarras, que tudo pode, tudo suporta.

A segunda lição aprendida é que a coragem exigida pela caridade necessita, impreterivelmente, de uma confiança inabalável. São Kolbe colocava toda sua confiança em Cristo Jesus e na Imaculada, pois, mesmo sabendo que haveria de sofrer, tinha segurança de que nunca seria abandonado. Mesmo quando estava sendo agredido, humilhado, com fome e sede, cansado, não tinha ódio no coração e tudo fazia para que seus amigos também não o tivessem. Tudo ele oferecia à Imaculada para a salvação das almas.

Ele repetia sempre: “Por Jesus Cristo, estou pronto a suportar tudo. A Imaculada está comigo e me ajuda!” E ainda que houvesse risco de castigos cruéis, atendia a confissão dos que a pedissem, dava a sua pequena porção de comida dizendo que os outros tinham mais fome que ele, animava todos com palavras ungidas e de confiança em Deus.

A terceira lição é o valor imenso de uma família para Deus, pela qual até um sacerdote doa a sua vida. É reconhecer a importância e dignidade de um pai e esposo.

Nossa família é tão preciosa que Deus não mede limites para mantê-la unida. Ele permite que os seus melhores santos sejam sacrificados por ela. Precisamos ter coragem de lutar pela nossa família e, acaso haja algum risco de perdê-la, rogar a Deus como fez o preso salvo por São Maximiliano. É no seio da família que a caridade verdadeira deve mais ainda transparecer, sacrifícios diários de amor entre marido e mulher, pais e filhos.

Quando ainda criança, Nossa Senhora apareceu para São Maximilano Kolbe e lhe mostrou  duas coroas, uma branca simbolizando a pureza, e outra vermelha, o martírio. Perguntou ao menino Kolbe qual delas escolhia e ele disse que ficaria com as duas. E foi assim que São Maximiliano morreu: puro e mártir.

Com sua vida dedicada a glorificar o nome de Nossa Senhora e de inteira entrega a Jesus Cristo, este Santo nos ensina a confiar, a ter coragem, porque a caridade é caminho certo de salvação.

Não há caridade sem coragem e nem coragem sem confiança.

Sejamos confiantes mesmo diante dos maiores problemas e dificuldades, ainda que insuperáveis.

Deus nos dará coragem se confiarmos Nele e, por consequência, a caridade abundará em nós.

Sagrado Coração de Jesus, nós temos confiança em Vós!

Fontes:

Vida de São Maximiliano Kolbe. Pe. Ivo Montanhese.

Conheça o homem que São Maximiliano Kolbe salvou de Auschwitz

A humildade é a verdade!

Lembra-te de que és pó e de que pó voltarás a ser. Na nossa origem e no nosso fim somos essencialmente o que verdadeiramente somos. Quando nascemos e quando morremos a verdadeira humildade encontra-se em nós. Durante a vida, a tentação da vanglória se aproxima em troca do reconhecimento dos homens, da sociedade e até de nós mesmos. E como também somos encantados pelo que o exterior nos comunica, temos muita dificuldade em analisar mais detidamente cada pessoa, cada fato, cada acontecimento para buscar sempre a sua essência e não se enganar apenas com o que os olhos podem ver. Os prazeres do mundo, a ganância sem fim, tudo isso nos leva a valorizar o que não tem valor algum diante de Deus. E querendo esses valores, mitigamos uma virtude que deveria nos guiar em todas as nossas ações, a humildade.

São Francisco de Assis nos ensina que o homem é o que ele é diante de Deus, nada mais. Em nossa essência, somos verdadeiramente o que somos diante do nosso Criador. O que os homens possam pensar de nós, o que a sociedade possa achar a nosso respeito, o que queremos que os outros pensem sobre nós, nada disso é a Verdade sobre o que realmente somos. E como a Verdade nos liberta, somente seremos verdadeiramente livres quando tivermos a consciência da nossa essência, do que nós somos, de quem verdadeiramente somos diante de Deus. Cientes da nossa verdade seremos felizes porque não mais nos importará o que os outros ou o que a sociedade possa pensar a nosso respeito. Não precisaremos mais de máscaras, podemos agir sem medo de mostrar ao outro o nosso eu verdadeiro.

“Diz-se que um certo passarinho, por nome tataranho, tem uma virtude secreta, no seu grito e nos seus olhos, de afugentar as aves de rapina e crê-se ser esta a razão da simpatia que as pombas lhe dedicam. Assim nós também podemos dizer que a humildade é o terror de satanás, o rei do orgulho, que ela conserva em nós a presença do Espírito Santo e de seus dons e que por isso foi tão apreciada dos santos e santas e tão querida dos corações de Jesus e de sua Mãe.”

No Magnificat, Nossa Senhora diz que o Senhor nela fez maravilhas porque “olhou para a humildade de sua pobre serva”.

As maravilhas de Deus somente podem habitar num coração verdadeiramente humilde e nisso devemos ser imitadores da Santa Mãe de Jesus.

Nosso Senhor Jesus Cristo, sendo Deus, humilhou-se ao fazer-se homem para carregar sobre si as nossas iniquidades.

Todos os santos de Deus nos dão exemplos de humildade.

A humildade verdadeira e sincera é essencial para que as portas do Céu se abram para nós.

São Francisco de Sales nos fala da humildade nas ações exteriores ao mesmo tempo que enfatiza que a humildade interior é a mais perfeita.

Para este querido santo, a virtude da humildade é contrária ao ato de nos vangloriarmos. Não há verdadeira humildade naquele que está sempre afetado a fazer aparecer o que tem por bem, buscando ostentá-lo e dele se ensoberbecendo.

Ao contrário, exalta a humildade aquele que se esvazia de si para que o Senhor preencha sua miséria com misericórdia, põe em Deus toda sua confiança e tudo o que faz é para mostrar a Sua onipotência em nossa fraqueza.

“O verdadeiro humilde não quer parecer que o é e nunca fala de si mesmo; a humildade, pois, não só procura esconder outras virtudes, mas ainda mais a si mesma”. É o que diz o nosso Santo no livro Filoteia.

E complementa: “Nunca abaixemos os olhos, sem humilharmos o coração; nunca procuremos o último lugar, sem que de bom grado e sinceramente o queiramos tomar. Essa regra é tão geral que não se pode abrir exceção alguma.”

Para sermos humildes, primeiramente, então, precisamos de sinceridade de coração. Precisamos desejar o último lugar, reconhecendo nossa pobreza e que se há algo de bom em nós foi Ele quem fez brotar por sua graça.

Um coração humilde não necessita de honrarias, de reconhecimentos, mas de caridade.

É no exercício da caridade, do amor ao próximo, que as virtudes escondidas pela humildade se revelam, pois a caridade, “não sendo uma virtude humana e mortal, mas celeste e divina e o sol das virtudes, deve sempre dominar sobre todas; de sorte que, se a humildade prejudica a caridade em alguma coisa, é, sem dúvida, uma humildade falsa.”

A perfeição da humildade consiste por isso em preferir o próximo a nós mesmos, justamente porque reconhecemos em nós nossas próprias falhas, baixeza e mesquinhez, nossas fraquezas e abjeções.

Além de reconhecê-las em nós, diz o Santo, devemos até amá-las, pois permitem que exercitemos uma verdadeira humildade diante do nosso irmão.

E sempre que as cometermos, devemos ainda aceitá-las como elas são, com toda sua humilhação e, principalmente, assim que possível e se possível, repará-las; rejeitando assim o pecado com indignação e conservando, com humilde paciência, a nossa abjeção no coração para que nela nos edifiquemos.

O amante da humildade deve ainda conservar sua boa reputação, não porque ela seja um bem desejável em si mesma, mas porque “serve de ornamento à nossa vida e muito nos ajuda a conservar as virtudes”.

E não se trata apenas de manter uma boa reputação, mas de ser em verdade aquilo que os outros julgam de nós.

Por outro lado, a alma verdadeiramente cristã não se pode inquietar por qualquer coisa que se diga sobre si, sob pena de colocar de lado a virtude da humildade para conservar a reputação, sendo aquela muito mais valiosa que esta.

A humildade é a verdade, segundo Santa Teresa D’Ávila. É a verdade que nos liberta. Somente a verdade sobre nós e sobre Deus nos torna verdadeiramente humildes. É a verdade que permite nos reconhecermos pequenos e fracos diante da magnanimidade e glória de Deus.

A Ele e só a Ele devem ser dirigidos todos os louvores e glória. Tudo em nós é graça divina, desde a nossa primeira batida de coração no ventre materno até o último suspiro, quando, enfim, poderemos, pela bondade e misericórdia de Deus, vivermos na eternidade.

Nesse tempo de Quaresma, podemos buscar a conversão do coração à humildade perfeita. Amar ao próximo com todo o valor que ele tem por ter sido criado à imagem e semelhança de Deus e porque, sendo pecadores, necessitamos redimir e reparar cada uma de nossas iniquidades, sempre com confiança no Cristo Crucificado, Caminho, Verdade e Vida.

Santa Faustina Kowalska escreveu que as graças da misericórdia divina são colhidas com o vaso da confiança em Cristo e que “Quanto mais a alma confiar, tanto mais receberá”.

Vamos seguir este tempo de contrição, com extrema confiança em Jesus Cristo, exercitando a humildade sincera em cada um dos nossos pequenos atos, nas ações comuns do dia a dia, colocando em tudo amor e compaixão, por nossos pais, filhos, irmãos, amigos, desconhecidos.

Amar sempre e mais, sem vanglória e sem vaidade. Só por amor, amor ao Cristo traído, preso, flagelado, cuspido, coroado com espinhos, pregado numa Cruz, ridicularizado, faminto e com sede.

Só por amor ao Cristo que não deixou de ser quem era porque foi vilmente tratado.

Só por amor ao Cristo que deu a vida para nos salvar.

Só por amor ao Cristo que venceu a morte, ao Cristo Ressuscitado, Deus Vivo, Deus Conosco!

 

Ana Catarina e Giselle Draeger

Fonte: Introdução à vida devota (Filoteia) São Francisco de Sales.

Eis que faço nova todas as coisas

Eis que mais um ano se iniciará e a esperança de viver melhor se renovará.

Muitos são os desejos, mas com eles diversos também são os desafios.

Nos despedimos do ano que se vai, e nunca mais voltará, contemplando a Sagrada Família de Nazaré, que tem no seu centro o Menino Deus recém-nascido.

Recepcionamos o ano que surge com as bençãos da Santa Mãe de Deus, Rainha da Paz!

O ano que começa traz para nós a oportunidade de seguir mais ainda em direção ao Senhor, buscar os caminhos que nos levará ao Céu.

Viver cada dia como se fosse o último, sem rancores, sem tristeza, sem divisão, sem medo.

Viver cada dia como se fosse o último, com perdão, com alegria, com união e com coragem.

Como diz Santo Afonso de Ligório, não sabemos se esse novo ano será o último vivido nessa terra.

Lembremos também de Santa Teresinha que dizia “Só tenho hoje”.

Podemos segurar a mão de Jesus, que se estende para não nos deixar afundar no agitado mar da nossa vida.

Ocupar-nos de corpo e alma daquilo que nos santifica, executando o mandamento do amor.

Amar a Deus com todo o seu coração e o próximo como a ti mesmo.

Não se pode amar a Deus se não se ama o seu irmão e por isso o mandamento do amor ao próximo é o primeiro na ordem de execução.

Amar o próximo é doar-se inteiramente e toda doação exige sacrifícios.

Jesus doou a sua vida por nós, sacrificou-se para nossa redenção. Ele nos deu o verdadeiro testemunho do Amor. É assim que devemos amar a todos, sem limites, com justiça e retidão, com perdão e mansidão.

Amar certamente não é fácil, não é uma brincadeira. Quanto mais se ama mais disposição se tem para sofrer pelo amado.

Jesus não quer que amemos somente os amigos, mas principalmente os inimigos. Esta é a marca do autêntico cristão: ter a capacidade de amar mesmo não concordando com os erros do outro, pois se ama a alma, a criatura de Deus, e não o seu pecado.

Amar sempre e mais deve ser a busca incessante de todo cristão, pois “Bem aventurados os puros de coração porque verão a Deus”. (Mt. 5, 8).

O ano que se inicia permite um recomeço no amor como prova de que o Amor necessita ser amado.

Podemos sim acolher o Cristo que faz novas todas coisas, que vence a morte e faz triunfar o amor.

Que nos primeiros momentos de 2018 possamos rezar com nosso coração contrito, como ensinou Nossa Senhora aos pastorinhos em Fátima, quiçá até de joelhos:

“Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos, peço-Vos perdão pelos que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam”.

Fonte: Meditações: Para todos os dias e festas do ano: Tomo I. Santo Afonso Maria de Ligório.

Toda pulcra és Maria!

Oh Maria, para mim não era necessário que, em 1854, o Papa Pio IX tivesse proclamado o dogma da tua Imaculada Conceição.

Também não era necessário que, 04 anos depois, em sua aparição em Lourdes, na França, a Senhora tivesse dito que seu nome era “Imaculada Conceição”.

Bastava-me a anunciação do anjo Gabriel para saber essa verdade.

Deus não seria gerado num ventre onde o pecado pudesse ter habitado.

Deus não nasceria na impureza.

Deus não seria amamentado em seios indignos.

Deus não cresceria num lar sem santidade.

O Menino Deus escolheu nascer de ti. Escolheu ser amado por primeiro por teu coração.

Em silêncio, em tua pureza santa, foste a primeira morada do Senhor nesta terra.

Ele quis o teu sim e te preparou para recebê-Lo.

Providenciou que a triste mancha do pecado original, que nos retirou do Paraíso, não te alcançasse.

Ele queria nascer de ti, queria ser obra do teu amor.

E, para isto, precisava que fostes toda pura, pois não poderia ser diferente com aquela que viria a carregá-Lo por nove meses e Dele cuidaria por toda vida.

Refletindo sobre tudo isto, não consigo deixar de admirar mais ainda o Bom José, teu santo esposo, bondoso pai do Menino Deus.

Imagino o coração de José enchendo-se do mais puro amor olhando para ti, carregando o Nosso Senhor.

José, certamente, compreendeu quão pura eras, para que Deus a tivesse escolhido para ser Mãe do Salvador.

Ele também não precisava de nenhuma confirmação de que eras imaculada desde a concepção.

Os fatos já falavam por si.

Olhando nos teus olhos, ouvindo a tua voz, sentindo o Menino Deus mexer-se em teu ventre, tudo isso era suficiente para o Bom José ter certeza da sua conceição imaculada.

E assim, mãe santíssima, desejo te amar, sabendo que em ti o pecado nunca habitou, o mal nunca teve vez.

Sempre fostes de Deus, consagrada desde todo o sempre, desde quando estavas nas entranhas de tua mãe.

E que essa verdade permeie o coração de muitos, assim como habitava no coração de São José.

Que não sejamos ingratos com o Menino Deus por não amar a sua mãe como ela verdadeiramente merece.

Honremos Maria, imaculada, santa, toda pulcra!

“Onde essa imagem chegar, nenhuma desgraça acontecerá!”

apresentaçao

Também aqui em Natal Nossa Senhora quis fazer morada.
Veio com as ondas do mar e foi encontrada por humildes pescadores. Trazia uma mão estendida, parecendo que sustentava algo, e, no colo, trazia o seu filho.
A mão estava vazia, mas foi unanimidade entre todos que naquela mão haveria de ter um rosário que certamente caiu na imensidão do mar. O que significava, então, este fato?
A imagem da Virgem foi encontrada escondida dentro de um caixote, no dia 21 de novembro, na margem direita do rio Potengi, encalhada entre as pedras e na confrontação com a Igreja do Rosário que havia sido erguida pelos negros, muitos escravos, por amor à Santa Mãe do Céu.
As coisas de Deus não são coincidências, e sim providências.
Então, o que significa Nossa Senhora ser encontrada no dia consagrado pela Igreja à sua apresentação ao Templo por seus pais?
E mais ainda, por que ela quis ser encontrada na confrontação da Igreja dos pobres e por humildes pescadores?
É algo que não pode passar despercebido entre os fiéis dessa Santa e bondosa Mãe.
Assim, meditando todas essas circunstâncias especiais de sua aparição, penso que a Virgem quer ser encontrada por todos, mas aqueles que tem um coração humilde a encontrarão mais facilmente.
O nosso coração humilde é o que nos instiga a desvendar o mistério da nossa salvação que veio através de uma corajosa mulher. Precisamos abrir os caixotes da nossa alma para compreender que, em tudo, Jesus quis ter uma mãe por perto, para gerá-lo, amamentá-lo, educá-lo, ouvi-lo e fazer sua vontade.
Não são as mães as primeiras a querer satisfazer todas as vontades de seus filhos? Por que seria diferente com Maria?
Na confrontação da Igreja do Rosário dos Pretos, Nossa Senhora foi achada num simples caixote. Este fato também nos faz crer que Maria quer dizer que ela é mãe de todos, independentemente de qualquer condição desta vida. Ela está aqui entre nós e quer atender nossas necessidades junto ao menino Jesus que traz em seu colo, seu filho amado, seu filho querido.

E a mão estendida sem o Rosário? Somos nós quem devemos colocar um rosário em suas mãos. Somos nós quem devemos lhes dar as rosas, recitar muitas Ave-Marias para ela, pois “o Senhor é convosco” e “bendita sois vós entre as mulheres”.
E no dia consagrado à sua apresentação ao Templo? Sim, porque Maria quer mostrar que, desde todo o sempre, ela só pertenceu a Deus e é diante dele que quer ter erguido o seu trono, ao seu lado direito, pois às margens direita do imenso rio Potengi foi revelada para o povo sofrido destas terras.

Ela também nos apresenta Jesus: Caminho, Verdade e Vida!
E nos ensina a vê-Lo em todos os que precisam de nós, nos ensina a ter olhos para ver, ouvidos para ouvir e coração para sentir a dor daqueles que mais sofrem bem perto de nós. A Mãe nos ensina a esquecer a nossa dor, o nosso sofrimento e partir em direção dos nosso irmãos exatamente como fez Jesus, especialmente quando, no caminho do Calvário olhou para as mulheres que choravam e as consolou.

Vinde Virgem da Apresentação e do Rosário habitar em nossos corações humildes! Temos muitas rosas para te oferecer. É ao seu Menino que queremos seguir, ouvir e fazer a vontade, como também fizeste, bondosa Senhora.

“Onde essa imagem chegar, nenhuma desgraça acontecerá!”

Fonte: http://arquidiocesedenatal.org.br/padroeiro

Mártires da fé

Após 372 anos dos martírios de um sem número de fiéis, um dia de medo, crueldade e muito sofrimento, um número de 30 foram identificados e agora canonizados pela Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Hoje, aqueles dias, 16 de julho e 03 de outubro, se transformaram para nós em sinal de perfeito oferecimento a Deus.

Estes homens, mulheres, jovens e crianças, sacerdotes e leigos, são para nós a prova viva de que Deus ama além do que imaginamos, que Deus tem desígnios que não conhecemos, mas que são destinados sempre a um bem maior.

Temos agora o testemunho destes primeiros mártires do Brasil para nos inspirar a amar as coisas de Deus, a Santa Missa, a Santa Eucaristia.

Aquela missa de Cunhaú, interrompida pelos seus algozes, foi terminada lá no Céu.

Os Santos Mártires não negaram a fé mesmo diante dos piores horrores, mesmo vendo seus filhos, pais, irmãos e amigos passando por tamanha dor.

Deus os socorreu com o dom da fortaleza e Nossa Senhora do Carmo com eles certamente esteve, pois o primeiro martírio, o de Cunhaú, foi justamente no seu dia.

É a disposição de amar a Deus sobre tudo e apesar de tudo que nos faz fortes, pois como diz São Paulo, “quando me sinto fraco, então é que sou forte” (II Cor 12, 10).

Deus mesmo é a nossa força.

E de todo esse sangue derramado, o que mais enobrece o nosso coração é imaginar que, naquele momento, os santos de Deus exclamavam muitas orações, a ponto de terem que lhes cortar as línguas para que não mais as proferissem.

São Mateus Moreira, em Uruaçu, que não teve a língua cortada, mas teve o coração arrancado pelas costas, ainda neste momento, reverenciou a Eucaristia, louvando o Santíssimo Sacramento do Altar.

Deus não permite que nada aconteça sem um motivo.

E penso que o exemplo deixado por estes fiéis para todos nós brasileiros pode ser um deles, pois quantos há que tem medo ou vergonha de assumir a sua fé, de rezar antes de suas refeições, de falar de Deus para seus amigos, de participar de uma vida voltada para Aquele que tudo merece.

Sinto-me abençoada de ter vivido nesse tempo da canonização dos primeiros mártires do Brasil e, mais ainda, de ser norte-riograndense como eles.

Santos mártires do Brasil, roguem por nós, por nossas famílias.