Presente do Céu

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Eis que diz o Salmista: “Os olhos do Senhor buscam os justos, inclina os seus ouvidos para ouvi-los.” (Sl 33, 17). É na oração que Deus nos encontra e se revela nos mais profundo da nossa alma. Quanto mais inclinados estivermos a ter este encontro, mais Deus se aproximará para ouvir a nossa voz. E, se esta voz proferir palavras que alegram a sua Santíssima Mãe, mais ainda Sua atenção nos será dirigida.

Uma poderosíssima arma para vencer o inimigo é, justamente, abraçar o santo Rosário. Nele e com ele, desvendamos os mais belíssimos mistérios e virtudes da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo e de Sua Digníssima Mãe.

São Luís Maria Grignion de Montfort pede que tenhamos o cuidado de não considerar a devoção do Rosário como pequena e ineficaz, como alguns ignorantes e, até mesmo, vários sábios orgulhosos. Segundo o santo, “Foi o céu que no la-deu, e deu-a para convertermos os pecadores mais endurecidos e os hereges mais obstinados. Deus associou a ela a graça nesta vida e a glória na outra”.

A cada repetição da saudação angélica o coração da Virgem Maria sente mais uma vez a alegria imensa que sentiu quando da aparição do anjo para anunciar-lhe que seria a Mãe do Salvador. Quando Maria Santíssima ouve seus filhos dizendo “Bendita sois vós entre as mulheres, bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus”, ela exulta declamando: “Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito se alegra em Deus, meu salvador, porque olhou para a humildade de sua pobre serva. De agora em diante, todas as gerações hão de chamar-me de bendita”.

Nesse diálogo profundo, criamos um elo indestrutível com o que é bom e santo e o nosso coração converge cada vez mais para o de Deus.

Já na sua época, São Luís Maria Grignion de Monfort registrava que “Enquanto, a exemplo de São Domingos, os pregadores pregavam a devoção ao santo Rosário, a piedade e o fervor floresciam nas ordens religiosas que observavam essa devoção e no mundo cristão; porém, desde que se tem negligenciado esse presente vindo do céu, por toda parte não temos visto senão pecados e desordens.”

Ora se não é exatamente o que estamos vendo acontecer em inúmeros lares! Com muito pesar, temos visto famílias que não mais encontram o caminho para que permaneçam unidas. Desistem facilmente das batalhas de todos os dias, mesmo que isso signifique o sacrifício de perder o maior presente que Deus lhes poderia dar: sua família.

Aquele que se une ao Rosário, entretanto, não será abandonado, pois à sua voz estará atento o Senhor Deus: “As aflições afluem sobre o justo, mas o Senhor de todas o liberta” (Sl 33, 20).

A oração levada ao Senhor pelas mãos de Sua Mãe torna-se ainda mais eficaz, diante do grande amor que Ele tem por ela. Coloquemo-nos como o apóstolo João que, de braços abertos, recebeu, como sua, a Mãe de Cristo.

Grande prova o auxílio da Mãe de Nosso Senhor em favor dos cristãos ocorreu em 07 de outubro de 1571, por ocasião da vitória da batalha de Lepanto, no mar da Grécia, quando a esquadra cristã, organizada pelo Papa São Pio V e comandada pelo Príncipe Dom João d´Áustria, venceu milagrosamente as forças muçulmanas que poderiam ter invadido a Europa e, consequentemente, subjugando o povo cristão. O Papa, além de determinar a bênção das armas dos soldados, pediu que todos levassem como arma mais forte o Santo Rosário. Eles eram minoria frente aos soldados turcos e, no entanto, após três horas de luta, saíram vitoriosos ao grito de “Viva Maria”! O domínio muçulmano era um risco real e grave ao cristianismo e, por intercessão de Nossa Senhora do Rosário, o pior não aconteceu. Além da recitação do Rosário, os soldados prepararam-se durante três dias com jejuns, orações e procissões.

A batalha de Lepanto é travada por nós em todos os instantes de nossa vida, nos diversos aspectos e circunstâncias que a envolvem. A qualquer momento, podemos nos deparar com o inimigo tentando dizimar a nossa fé, destruir a nossa alma e ter para si um território que devemos proteger e guardar para a habitação de Deus.

Não permitamos que o inimigo invada a nossa vida, nossa família e nossa pátria por falta da devoção ao santo Rosário. Erga muralhas, edifique sobre a rocha e construa uma fortaleza. Nossa Senhora há de nos ajudar.

Para São Luís Maria Grignion de Monfort, “Entre todos os modos de recitar o santo Rosário, o mais glorioso a Deus, o mais salutar à alma e o mais terrível ao diabo é salmodiá-lo ou recitá-lo publicamente em dois coros.”.

Imaginemos a força que não terá o Rosário recitado com humildade e devoção em família!

Acolhamos em nossas famílias esse grande presente do Céu e teremos a mais poderosa arma contra o mal.

Que as famílias iniciem tão gloriosa devoção e perseverem nessa santa virtude para que, unidas, encontrem Jesus e alcancem o Céu.

Nossa Senhora do Rosário, rogai por nós!

Referências:

O Segredo Admirável do Santíssimo Rosário. São Luís Maria de Grignion de Montfort.

https://cleofas.com.br/voce-conhece-a-historia-da-batalha-de-lepanto/

Caridade, coragem e confiança!

Há poucos meses, lendo sobre a vida de São Maximiliano Kolbe, tive uma aula prática sobre a caridade.

Ele era um sacerdote polonês que foi preso no Campo de Concentração de Auschwitz em virtude da influência que exercia, principalmente com a sua revista dedicada à Imaculada. De lá, ele pôde nos dar um dos maiores testemunhos da verdadeira caridade.

Eis que tendo fugido um preso do bloco 14, ao qual pertencia São Maximiliano Kolbe, foi dito que se ele não aparecesse até o dia seguinte à tarde, dez prisioneiros morreriam em seu lugar. Eles seriam enviados para o bunker da fome. Um lugar horrível, um pequeno quartinho subterrâneo, onde ficariam sem comida, sem água e sem roupa, até que a morte os viesse visitar.

Assim, após ficarem o dia inteiro em pé, no sol escaldante de julho de 1941, o comandante deu início a escolha dos prisioneiros e um deles saiu da fila, desesperado, chorando e gritando que tinha esposa e filhos e agora esses ficariam órfãos.

Os relatos descrevem que São Maximiliano Kolbe deixou o seu lugar na fila e olhou fixamente para o comandante, com seu corpo magro, fraco, abatido, mas com serenidade. O comandante retirou o revólver do coldre e mandou parar aquele a quem chamou de “porco polonês”.

Um gesto de desobediência como esse teria sido o suficiente para a execução de muitos outros, no entanto, o sádico comandante não atirou em Frei Kolbe e o ouviu dizer: “Eu gostaria de morrer no lugar de um destes condenados…”. Em resposta, sem compreender tal atitude, o comandante pergunta-lhe o porquê de querer ir no lugar de um outro. Então, São Maximiliano, para convencer o comandante, diz que está velho e que não serve mais para nada.

Após, quando lhe é indagado no lugar de quem ele queria ir, São Maximiliano Kolbe diz que no lugar daquele que tem mulher e filhos, o pai de família.

No bunker da fome, a principal missão do Frei Maximiliano era salvar a alma dos nove homens que estavam com ele, não permitir que morressem com ódio no coração. Ele rezava constantemente, cantava hinos de louvores a Deus e à Imaculada, e os gritos e maldições ouvidos nas celas vizinhas transformaram-se também em orações.

Durante todo o tempo que permaneceu no bunker, nunca era visto sentado ou deitado, mas apenas em pé ou de joelhos. Assistiu a cada um dos seus companheiros no momento da morte, dando-lhes esperança da vida eterna. Receberam a absolvição geral e tiveram suas almas encomendadas à Deus.

Após 14 dias no bunker, dia 14 de agosto de 1941, véspera da festa da Assunção da Imaculada, morrem os três últimos companheiros do Frei Maximiliano Kolbe, restando apenas ele ainda vivo, que por estar tão debilitado já não se aguentava em pé, nem de joelhos.

Vendo que o Frei ainda não havia morrido, o carrasco entra no bunker com uma seringa na mão e, nessa hora, ciente do que estava acontecendo, São Maximiliano estende-lhe o braço, dando a sua vida, com este gesto, para a salvação de muitas almas.

Um prisioneiro que exercia o ofício de coveiro, Borgowiec, depois relatou que os outros corpos estavam sempre imundos, mas o do Frei Kolbe estava limpo e até brilhava.

Franciszek Gajowniezek era o nome do prisioneiro, o pai de família, que foi salvo por São Maximiliano Kolbe. Ele morreu aos 93 anos, após presenciar a beatificação e canonização daquele sacerdote católico que lhe deu a vida.

A primeira lição aprendida da vida de São Maximiliano Kolbe é de que não existe caridade sem coragem. Uma pessoa caridosa, necessariamente, deve revestir-se de coragem. Não uma coragem qualquer, mas uma coragem que impulsiona o nosso coração e o nosso agir para algo muito superior ao que tínhamos imaginado num primeiro momento.

Essa coragem verdadeira nos faz suplantar limites dentro do nosso próprio interior. Com ela vencemos batalhas e conflitos que insistem em permear o nosso viver. É preciso coragem para amar. Todo amor exige sacrifícios em prol da pessoa amada, seja ela nosso familiar ou nosso amigo, quiçá até alguém totalmente desconhecido.

Por isso, a caridade é a mais bela expressão do amor. Através dela, enxergamos no outro uma alma digna de ser amada, um irmão que é imagem e semelhança de Deus e onde habita o Espírito Santo. E é essa toda a motivação para brotar um amor que não tem amarras, que tudo pode, tudo suporta.

A segunda lição aprendida é que a coragem exigida pela caridade necessita, impreterivelmente, de uma confiança inabalável. São Kolbe colocava toda sua confiança em Cristo Jesus e na Imaculada, pois, mesmo sabendo que haveria de sofrer, tinha segurança de que nunca seria abandonado. Mesmo quando estava sendo agredido, humilhado, com fome e sede, cansado, não tinha ódio no coração e tudo fazia para que seus amigos também não o tivessem. Tudo ele oferecia à Imaculada para a salvação das almas.

Ele repetia sempre: “Por Jesus Cristo, estou pronto a suportar tudo. A Imaculada está comigo e me ajuda!” E ainda que houvesse risco de castigos cruéis, atendia a confissão dos que a pedissem, dava a sua pequena porção de comida dizendo que os outros tinham mais fome que ele, animava todos com palavras ungidas e de confiança em Deus.

A terceira lição é o valor imenso de uma família para Deus, pela qual até um sacerdote doa a sua vida. É reconhecer a importância e dignidade de um pai e esposo.

Nossa família é tão preciosa que Deus não mede limites para mantê-la unida. Ele permite que os seus melhores santos sejam sacrificados por ela. Precisamos ter coragem de lutar pela nossa família e, acaso haja algum risco de perdê-la, rogar a Deus como fez o preso salvo por São Maximiliano. É no seio da família que a caridade verdadeira deve mais ainda transparecer, sacrifícios diários de amor entre marido e mulher, pais e filhos.

Quando ainda criança, Nossa Senhora apareceu para São Maximilano Kolbe e lhe mostrou  duas coroas, uma branca simbolizando a pureza, e outra vermelha, o martírio. Perguntou ao menino Kolbe qual delas escolhia e ele disse que ficaria com as duas. E foi assim que São Maximiliano morreu: puro e mártir.

Com sua vida dedicada a glorificar o nome de Nossa Senhora e de inteira entrega a Jesus Cristo, este Santo nos ensina a confiar, a ter coragem, porque a caridade é caminho certo de salvação.

Não há caridade sem coragem e nem coragem sem confiança.

Sejamos confiantes mesmo diante dos maiores problemas e dificuldades, ainda que insuperáveis.

Deus nos dará coragem se confiarmos Nele e, por consequência, a caridade abundará em nós.

Sagrado Coração de Jesus, nós temos confiança em Vós!

Fontes:

Vida de São Maximiliano Kolbe. Pe. Ivo Montanhese.

Conheça o homem que São Maximiliano Kolbe salvou de Auschwitz

A humildade é a verdade!

Lembra-te de que és pó e de que pó voltarás a ser. Na nossa origem e no nosso fim somos essencialmente o que verdadeiramente somos. Quando nascemos e quando morremos a verdadeira humildade encontra-se em nós. Durante a vida, a tentação da vangloria se aproxima em troca do reconhecimento dos homens, da sociedade e até de nós mesmos. E como também somos encantados pelo que o exterior nos comunica, temos muita dificuldade em analisar mais detidamente cada pessoa, cada fato, cada acontecimento para buscar sempre a sua essência e não se enganar apenas com o que os olhos podem ver. Os prazeres do mundo, a ganância sem fim, tudo isso nos leva a valorizar o que não tem valor algum diante de Deus. E querendo esses valores, mitigamos uma virtude que deveria nos guiar em todas as nossas ações, a humildade.

São Francisco de Assis nos ensina que o homem é o que ele é diante de Deus, nada mais. Em nossa essência, somos verdadeiramente o que somos diante do nosso Criador. O que os homens possam pensar de nós, o que a sociedade possa achar a nosso respeito, o que queremos que os outros pensem sobre nós, nada disso é a Verdade sobre o que realmente somos. E como a Verdade nos liberta, somente seremos verdadeiramente livres quando tivermos a consciência da nossa essência, do que nós somos, de quem verdadeiramente somos diante de Deus. Cientes da nossa verdade seremos felizes porque não mais nos importará o que os outros ou o que a sociedade possa pensar a nosso respeito. Não precisaremos mais de máscaras, podemos agir sem medo de mostrar ao outro o nosso eu verdadeiro.

“Diz-se que um certo passarinho, por nome tataranho, tem uma virtude secreta, no seu grito e nos seus olhos, de afugentar as aves de rapina e crê-se ser esta a razão da simpatia que as pombas lhe dedicam. Assim nós também podemos dizer que a humildade é o terror de satanás, o rei do orgulho, que ela conserva em nós a presença do Espírito Santo e de seus dons e que por isso foi tão apreciada dos santos e santas e tão querida dos corações de Jesus e de sua Mãe.”

No Magnificat, Nossa Senhora diz que o Senhor nela fez maravilhas porque “olhou para a humildade de sua pobre serva”.

As maravilhas de Deus somente podem habitar num coração verdadeiramente humilde e nisso devemos ser imitadores da Santa Mãe de Jesus.

Nosso Senhor Jesus Cristo, sendo Deus, humilhou-se ao fazer-se homem para carregar sobre si as nossas iniquidades.

Todos os santos de Deus nos dão exemplos de humildade.

A humildade verdadeira e sincera é essencial para que as portas do Céu se abram para nós.

São Francisco de Sales nos fala da humildade nas ações exteriores ao mesmo tempo que enfatiza que a humildade interior é a mais perfeita.

Para este querido santo, a virtude da humildade é contrária ao ato de nos vangloriarmos. Não há verdadeira humildade naquele que está sempre afetado a fazer aparecer o que tem por bem, buscando ostentá-lo e dele se ensoberbecendo.

Ao contrário, exalta a humildade aquele que se esvazia de si para que o Senhor preencha sua miséria com misericórdia, põe em Deus toda sua confiança e tudo o que faz é para mostrar a Sua onipotência em nossa fraqueza.

“O verdadeiro humilde não quer parecer que o é e nunca fala de si mesmo; a humildade, pois, não só procura esconder outras virtudes, mas ainda mais a si mesma”. É o que diz o nosso Santo no livro Filoteia.

E complementa: “Nunca abaixemos os olhos, sem humilharmos o coração; nunca procuremos o último lugar, sem que de bom grado e sinceramente o queiramos tomar. Essa regra é tão geral que não se pode abrir exceção alguma.”

Para sermos humildes, primeiramente, então, precisamos de sinceridade de coração. Precisamos desejar o último lugar, reconhecendo nossa pobreza e que se há algo de bom em nós foi Ele quem fez brotar por sua graça.

Um coração humilde não necessita de honrarias, de reconhecimentos, mas de caridade.

É no exercício da caridade, do amor ao próximo, que as virtudes escondidas pela humildade se revelam, pois a caridade, “não sendo uma virtude humana e mortal, mas celeste e divina e o sol das virtudes, deve sempre dominar sobre todas; de sorte que, se a humildade prejudica a caridade em alguma coisa, é, sem dúvida, uma humildade falsa.”

A perfeição da humildade consiste por isso em preferir o próximo a nós mesmos, justamente porque reconhecemos em nós nossas próprias falhas, baixeza e mesquinhez, nossas fraquezas e abjeções.

Além de reconhecê-las em nós, diz o Santo, devemos até amá-las, pois permitem que exercitemos uma verdadeira humildade diante do nosso irmão.

E sempre que as cometermos, devemos ainda aceitá-las como elas são, com toda sua humilhação e, principalmente, assim que possível e se possível, repará-las; rejeitando assim o pecado com indignação e conservando, com humilde paciência, a nossa abjeção no coração para que nela nos edifiquemos.

O amante da humildade deve ainda conservar sua boa reputação, não porque ela seja um bem desejável em si mesma, mas porque “serve de ornamento à nossa vida e muito nos ajuda a conservar as virtudes”.

E não se trata apenas de manter uma boa reputação, mas de ser em verdade aquilo que os outros julgam de nós.

Por outro lado, a alma verdadeiramente cristã não se pode inquietar por qualquer coisa que se diga sobre si, sob pena de colocar de lado a virtude da humildade para conservar a reputação, sendo aquela muito mais valiosa que esta.

A humildade é a verdade, segundo Santa Teresa D’Ávila. É a verdade que nos liberta. Somente a verdade sobre nós e sobre Deus nos torna verdadeiramente humildes. É a verdade que permite nos reconhecermos pequenos e fracos diante da magnanimidade e glória de Deus.

A Ele e só a Ele devem ser dirigidos todos os louvores e glória. Tudo em nós é graça divina, desde a nossa primeira batida de coração no ventre materno até o último suspiro, quando, enfim, poderemos, pela bondade e misericórdia de Deus, vivermos na eternidade.

Nesse tempo de Quaresma, podemos buscar a conversão do coração à humildade perfeita. Amar ao próximo com todo o valor que ele tem por ter sido criado à imagem e semelhança de Deus e porque, sendo pecadores, necessitamos redimir e reparar cada uma de nossas iniquidades, sempre com confiança no Cristo Crucificado, Caminho, Verdade e Vida.

Santa Faustina Kowalska escreveu que as graças da misericórdia divina são colhidas com o vaso da confiança em Cristo e que “Quanto mais a alma confiar, tanto mais receberá”.

Vamos seguir este tempo de contrição, com extrema confiança em Jesus Cristo, exercitando a humildade sincera em cada um dos nossos pequenos atos, nas ações comuns do dia a dia, colocando em tudo amor e compaixão, por nossos pais, filhos, irmãos, amigos, desconhecidos.

Amar sempre e mais, sem vanglória e sem vaidade. Só por amor, amor ao Cristo traído, preso, flagelado, cuspido, coroado com espinhos, pregado numa Cruz, ridicularizado, faminto e com sede.

Só por amor ao Cristo que não deixou de ser quem era porque foi vilmente tratado.

Só por amor ao Cristo que deu a vida para nos salvar.

Só por amor ao Cristo que venceu a morte, ao Cristo Ressuscitado, Deus Vivo, Deus Conosco!

 

Ana Catarina e Giselle Draeger

Fonte: Introdução à vida devota (Filoteia) São Francisco de Sales.

Eis que faço nova todas as coisas

Eis que mais um ano se iniciará e a esperança de viver melhor se renovará.

Muitos são os desejos, mas com eles diversos também são os desafios.

Nos despedimos do ano que se vai, e nunca mais voltará, contemplando a Sagrada Família de Nazaré, que tem no seu centro o Menino Deus recém-nascido.

Recepcionamos o ano que surge com as bençãos da Santa Mãe de Deus, Rainha da Paz!

O ano que começa traz para nós a oportunidade de seguir mais ainda em direção ao Senhor, buscar os caminhos que nos levará ao Céu.

Viver cada dia como se fosse o último, sem rancores, sem tristeza, sem divisão, sem medo.

Viver cada dia como se fosse o último, com perdão, com alegria, com união e com coragem.

Como diz Santo Afonso de Ligório, não sabemos se esse novo ano será o último vivido nessa terra.

Lembremos também de Santa Teresinha que dizia “Só tenho hoje”.

Podemos segurar a mão de Jesus, que se estende para não nos deixar afundar no agitado mar da nossa vida.

Ocupar-nos de corpo e alma daquilo que nos santifica, executando o mandamento do amor.

Amar a Deus com todo o seu coração e o próximo como a ti mesmo.

Não se pode amar a Deus se não se ama o seu irmão e por isso o mandamento do amor ao próximo é o primeiro na ordem de execução.

Amar o próximo é doar-se inteiramente e toda doação exige sacrifícios.

Jesus doou a sua vida por nós, sacrificou-se para nossa redenção. Ele nos deu o verdadeiro testemunho do Amor. É assim que devemos amar a todos, sem limites, com justiça e retidão, com perdão e mansidão.

Amar certamente não é fácil, não é uma brincadeira. Quanto mais se ama mais disposição se tem para sofrer pelo amado.

Jesus não quer que amemos somente os amigos, mas principalmente os inimigos. Esta é a marca do autêntico cristão: ter a capacidade de amar mesmo não concordando com os erros do outro, pois se ama a alma, a criatura de Deus, e não o seu pecado.

Amar sempre e mais deve ser a busca incessante de todo cristão, pois “Bem aventurados os puros de coração porque verão a Deus”. (Mt. 5, 8).

O ano que se inicia permite um recomeço no amor como prova de que o Amor necessita ser amado.

Podemos sim acolher o Cristo que faz novas todas coisas, que vence a morte e faz triunfar o amor.

Que nos primeiros momentos de 2018 possamos rezar com nosso coração contrito, como ensinou Nossa Senhora aos pastorinhos em Fátima, quiçá até de joelhos:

“Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos, peço-Vos perdão pelos que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam”.

Fonte: Meditações: Para todos os dias e festas do ano: Tomo I. Santo Afonso Maria de Ligório.

Toda pulcra és Maria!

Oh Maria, para mim não era necessário que, em 1854, o Papa Pio IX tivesse proclamado o dogma da tua Imaculada Conceição.

Também não era necessário que, 04 anos depois, em sua aparição em Lourdes, na França, a Senhora tivesse dito que seu nome era “Imaculada Conceição”.

Bastava-me a anunciação do anjo Gabriel para saber essa verdade.

Deus não seria gerado num ventre onde o pecado pudesse ter habitado.

Deus não nasceria na impureza.

Deus não seria amamentado em seios indignos.

Deus não cresceria num lar sem santidade.

O Menino Deus escolheu nascer de ti. Escolheu ser amado por primeiro por teu coração.

Em silêncio, em tua pureza santa, foste a primeira morada do Senhor nesta terra.

Ele quis o teu sim e te preparou para recebê-Lo.

Providenciou que a triste mancha do pecado original, que nos retirou do Paraíso, não te alcançasse.

Ele queria nascer de ti, queria ser obra do teu amor.

E, para isto, precisava que fostes toda pura, pois não poderia ser diferente com aquela que viria a carregá-Lo por nove meses e Dele cuidaria por toda vida.

Refletindo sobre tudo isto, não consigo deixar de admirar mais ainda o Bom José, teu santo esposo, bondoso pai do Menino Deus.

Imagino o coração de José enchendo-se do mais puro amor olhando para ti, carregando o Nosso Senhor.

José, certamente, compreendeu quão pura eras, para que Deus a tivesse escolhido para ser Mãe do Salvador.

Ele também não precisava de nenhuma confirmação de que eras imaculada desde a concepção.

Os fatos já falavam por si.

Olhando nos teus olhos, ouvindo a tua voz, sentindo o Menino Deus mexer-se em teu ventre, tudo isso era suficiente para o Bom José ter certeza da sua conceição imaculada.

E assim, mãe santíssima, desejo te amar, sabendo que em ti o pecado nunca habitou, o mal nunca teve vez.

Sempre fostes de Deus, consagrada desde todo o sempre, desde quando estavas nas entranhas de tua mãe.

E que essa verdade permeie o coração de muitos, assim como habitava no coração de São José.

Que não sejamos ingratos com o Menino Deus por não amar a sua mãe como ela verdadeiramente merece.

Honremos Maria, imaculada, santa, toda pulcra!

“Onde essa imagem chegar, nenhuma desgraça acontecerá!”

apresentaçao

Também aqui em Natal Nossa Senhora quis fazer morada.
Veio com as ondas do mar e foi encontrada por humildes pescadores. Trazia uma mão estendida, parecendo que sustentava algo, e, no colo, trazia o seu filho.
A mão estava vazia, mas foi unanimidade entre todos que naquela mão haveria de ter um rosário que certamente caiu na imensidão do mar. O que significava, então, este fato?
A imagem da Virgem foi encontrada escondida dentro de um caixote, no dia 21 de novembro, na margem direita do rio Potengi, encalhada entre as pedras e na confrontação com a Igreja do Rosário que havia sido erguida pelos negros, muitos escravos, por amor à Santa Mãe do Céu.
As coisas de Deus não são coincidências, e sim providências.
Então, o que significa Nossa Senhora ser encontrada no dia consagrado pela Igreja à sua apresentação ao Templo por seus pais?
E mais ainda, por que ela quis ser encontrada na confrontação da Igreja dos pobres e por humildes pescadores?
É algo que não pode passar despercebido entre os fiéis dessa Santa e bondosa Mãe.
Assim, meditando todas essas circunstâncias especiais de sua aparição, penso que a Virgem quer ser encontrada por todos, mas aqueles que tem um coração humilde a encontrarão mais facilmente.
O nosso coração humilde é o que nos instiga a desvendar o mistério da nossa salvação que veio através de uma corajosa mulher. Precisamos abrir os caixotes da nossa alma para compreender que, em tudo, Jesus quis ter uma mãe por perto, para gerá-lo, amamentá-lo, educá-lo, ouvi-lo e fazer sua vontade.
Não são as mães as primeiras a querer satisfazer todas as vontades de seus filhos? Por que seria diferente com Maria?
Na confrontação da Igreja do Rosário dos Pretos, Nossa Senhora foi achada num simples caixote. Este fato também nos faz crer que Maria quer dizer que ela é mãe de todos, independentemente de qualquer condição desta vida. Ela está aqui entre nós e quer atender nossas necessidades junto ao menino Jesus que traz em seu colo, seu filho amado, seu filho querido.

E a mão estendida sem o Rosário? Somos nós quem devemos colocar um rosário em suas mãos. Somos nós quem devemos lhes dar as rosas, recitar muitas Ave-Marias para ela, pois “o Senhor é convosco” e “bendita sois vós entre as mulheres”.
E no dia consagrado à sua apresentação ao Templo? Sim, porque Maria quer mostrar que, desde todo o sempre, ela só pertenceu a Deus e é diante dele que quer ter erguido o seu trono, ao seu lado direito, pois às margens direita do imenso rio Potengi foi revelada para o povo sofrido destas terras.

Ela também nos apresenta Jesus: Caminho, Verdade e Vida!
E nos ensina a vê-Lo em todos os que precisam de nós, nos ensina a ter olhos para ver, ouvidos para ouvir e coração para sentir a dor daqueles que mais sofrem bem perto de nós. A Mãe nos ensina a esquecer a nossa dor, o nosso sofrimento e partir em direção dos nosso irmãos exatamente como fez Jesus, especialmente quando, no caminho do Calvário olhou para as mulheres que choravam e as consolou.

Vinde Virgem da Apresentação e do Rosário habitar em nossos corações humildes! Temos muitas rosas para te oferecer. É ao seu Menino que queremos seguir, ouvir e fazer a vontade, como também fizeste, bondosa Senhora.

“Onde essa imagem chegar, nenhuma desgraça acontecerá!”

Fonte: http://arquidiocesedenatal.org.br/padroeiro

Mártires da fé

Após 372 anos dos martírios de um sem número de fiéis, um dia de medo, crueldade e muito sofrimento, um número de 30 foram identificados e agora canonizados pela Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Hoje, aqueles dias, 16 de julho e 03 de outubro, se transformaram para nós em sinal de perfeito oferecimento a Deus.

Estes homens, mulheres, jovens e crianças, sacerdotes e leigos, são para nós a prova viva de que Deus ama além do que imaginamos, que Deus tem desígnios que não conhecemos, mas que são destinados sempre a um bem maior.

Temos agora o testemunho destes primeiros mártires do Brasil para nos inspirar a amar as coisas de Deus, a Santa Missa, a Santa Eucaristia.

Aquela missa de Cunhaú, interrompida pelos seus algozes, foi terminada lá no Céu.

Os Santos Mártires não negaram a fé mesmo diante dos piores horrores, mesmo vendo seus filhos, pais, irmãos e amigos passando por tamanha dor.

Deus os socorreu com o dom da fortaleza e Nossa Senhora do Carmo com eles certamente esteve, pois o primeiro martírio, o de Cunhaú, foi justamente no seu dia.

É a disposição de amar a Deus sobre tudo e apesar de tudo que nos faz fortes, pois como diz São Paulo, “quando me sinto fraco, então é que sou forte” (II Cor 12, 10).

Deus mesmo é a nossa força.

E de todo esse sangue derramado, o que mais enobrece o nosso coração é imaginar que, naquele momento, os santos de Deus exclamavam muitas orações, a ponto de terem que lhes cortar as línguas para que não mais as proferissem.

São Mateus Moreira, em Uruaçu, que não teve a língua cortada, mas teve o coração arrancado pelas costas, ainda neste momento, reverenciou a Eucaristia, louvando o Santíssimo Sacramento do Altar.

Deus não permite que nada aconteça sem um motivo.

E penso que o exemplo deixado por estes fiéis para todos nós brasileiros pode ser um deles, pois quantos há que tem medo ou vergonha de assumir a sua fé, de rezar antes de suas refeições, de falar de Deus para seus amigos, de participar de uma vida voltada para Aquele que tudo merece.

Sinto-me abençoada de ter vivido nesse tempo da canonização dos primeiros mártires do Brasil e, mais ainda, de ser norte-riograndense como eles.

Santos mártires do Brasil, roguem por nós, por nossas famílias.

Determinada Determinação

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Ouvindo falar sobre a Vida de Santa Teresa D’Ávila, dentre as tantas belas lições, uma que mais me marcou foi a expressão determinada determinação, porque é exatamente aquilo que mais precisamos em nossas vidas.

Uma determinada determinação de se entregar a Deus em toda nossa inteireza, com nosso corpo e nossa alma, com tudo aquilo que integra o nosso viver, nossa família, nossos filhos, nossos bens materiais e espirituais, nossos sentimentos, nossas alegrias e nossas dores, enfim, tudo.

Ser todo de Deus e para Deus. Em tudo amar, sem nada negar.

Louvar a Deus no primeiro instante em que abrir os olhos pela manhã, viver com Ele cada minuto do dia e, ao final, quando a noite chegar, dirigir-se para Ele e agradecer. Agradecer os desafios, as lutas, os momentos de alegria e de amor. Agradecer sempre. Viver em oração, com o coração voltado para Deus, com determinada determinação.

Não foi sem propósito que Santa Teresa, referindo-se à vida de oração, disse que devemos ter uma determinada determinação. Tanto porque a oração é o começo de uma verdadeira amizade com Deus, como porque Santa Teresa era uma mulher muito determinada.

Aos sete anos de idade, desejosa de ir para o Céu, foi encontrada por um tio, já no portão da cidade de Ávila, pronta para fugir com seu irmão Rodrigo com o objetivo encontrar os mouros e por eles serem mortos como mártires. Para eles, isto era a certeza do Céu.

Ainda pequena, sua brincadeira preferida era fundar mosteiros, tal qual um prenúncio daquilo que mais tarde faria enquanto grande reformadora do Carmelo.

Quando sua querida mãe morreu, aos seus quatorze anos, pôs-se aos pés de uma imagem de Nossa Senhora para pedir-lhe, em meio a lágrimas, que dali em diante a tomasse como sua filha.

Embora tivesse até pretensões de casar, decidiu-se pela vida religiosa por acreditar que era mais garantia de sua ida ao Céu. Quão determinada determinação de chegar à morada celeste!

Já no convento, Teresa adoeceu tão gravemente que seu pai levou-a para casa. Passados alguns dias em estado que a todos parecia estar morta, inclusive com todos os preparativos para seu enterro tomados, o seu amoroso pai agarrou-se ao seu corpo e disse: “esta minha filha não é para enterrar!”. Com isso, não permitiu que ela fosse enterrada e, certamente por um milagre, ela retornou à vida, curando-se após algum tempo de tal enfermidade. Vemos daí de quem a Santa herdou esta determinada determinação!

Mais tarde, de volta ao convento, sentindo que havia muitas distrações para a vida de oração e contemplação que necessitava, conseguiu autorização para fundar um convento, o Carmelo de São José! De início, eram somente ela e quatro irmãs, que logo se transformaram em doze, como os doze apóstolos, no pobre Carmelo de São José.

Queria Santa Teresa travar a sua luta dentro do claustro, pois, em suas palavras, eram como guerreiras, soldados protegendo o Castelo. Queria fazer o que estivesse ao seu alcance, que era a contínua oração e contemplação de Deus, por toda a Igreja e por toda a humanidade:

“Determinei-me então a fazer este pouquinho a meu alcance, que é seguir os conselhos evangélicos com toda a perfeição possível e procurar que estas poucas irmãs aqui enclausuradas fizessem o mesmo”.

Pensava Santa Teresa que tudo se encerraria por aí, mas não. Deus ainda se valeria muito mais de sua determinada determinação.

Santa Teresa fundou diversos conventos, teve uma larga vivência mística e, ainda, deixou um tesouro escrito para nós.

Numa de suas experiências místicas, relatou a Santa que um anjo apareceu-lhe com um dardo de ouro comprido nas mãos, em cuja ponta de ferro havia um pouco de fogo. Com este dardo, perfurou-lhe o coração algumas vezes, atingindo-lhe as entranhas.

Relatou a Santa que: “A dor era tão grande que eu soltava gemidos, e era tão excessiva a suavidade produzida por essa dor imensa que a alma não desejava que tivesse fim nem se contentava senão com a presença de Deus”.

Quando o coração humano já ama a Deus em todo seu limite e este amor não é capaz de aumentar humanamente, Deus pode enviar os seus anjos para transverberar este coração, transformá-lo em outro, que, inundado por imenso amor de Deus, agora sim é capaz de amá-Lo sem limites.

Há muitos relatos destes entre os santos, mas o que mais chama a nossa atenção no caso de Santa Teresa é que, após dez anos de sua morte e vinte da transverberação, seu corpo foi exumado e, por encontrar-se incorrupto, a pedido de um bispo, o seu coração foi retirado, a fim de ser exposto na cidade de Alba de Tormes onde ela morreu. Qual não foi a surpresa quando constaram que em seu coração havia um ferida cicatrizada, com sinais de cauterização, a qual se encaixava perfeitamente ao relato de Santa Teresa da visita do anjo com um dardo de fogo. Era algo humanamente impossível alguém ter sobrevivido a um ferimento daquele, causado por fogo, no coração, ainda mais cauterizado.

Até hoje o coração de Santa Teresa, juntamente com seu braço esquerdo, encontram-se incorruptos e repousam no Convento da Anunciação, em Alba de Tormes, local de sua morte.

Pouco antes de morrer, ouviu-se a Santa ainda declarar: “Oh, Senhor, por fim, chegou a hora de nos vermos face a face! Morro como filha da Igreja”.

Assim pôde dizer Santa Teresa porque em toda sua vida agiu com determinada determinação.

Ah! Que possamos também nós colhermos deste ensinamento algo para nossa vida.

Podemos, sim, começar aos poucos, mas sempre determinados a dar o melhor neste pouco.

Nas mais singelas coisas da vida, determinar-se a colocar todo o amor que tivermos, porque um pequeno ato de amor apaga uma multidão de pecados.

E, quando verdadeiramente nos determinamos a realizar algo por Deus e para Deus, uma transformação acontece em nós e, de forma reflexiva, contagia a muitos que conosco convivem.

Lembre-se: determinada determinação!

Encontre o Caminho e busque a Perfeição. Entre pela porta do Castelo, adentre nos seus mais belos salões e festeje com o Rei! Ele te espera!

Santa Teresa D’Ávila, rogai por nossas famílias.

Fonte:

https://padrepauloricardo.org/episodios/o-que-e-a-transverberacao

https://padrepauloricardo.org/episodios/o-caminho-da-perfeicao

Eis aí tua Mãe!

Nas contas do Rosário, posso louvar e honrar uma bondosa Mãe.

Que oração singela e delicada é essa que ao longo dos séculos foi se formando entre os santos homens, mulheres e crianças de nossa santa Igreja?

É uma oração agradável aos ouvidos de uma Mãe amorosa, uma oração que lhe aquece o coração, pois, a cada vez que repetimos “Ave Maria, cheia de graça”, ela revive aquele alegre e inesperado momento em que o Anjo Gabriel lhe deu a feliz notícia da encarnação do Filho de Deus, Nosso Senhor.

Na recitação do Rosário, Maria revive o seu momento de entrega total aos planos de Deus, não só como filha, mas como serva, escrava do Senhor: “Eis aqui a serva do Senhor.” (Lc 1, 38).

Sua vontade conformou-se com este “sim” à vontade do Senhor em toda plenitude. Uma única vontade: a vontade de salvar as almas, de trazer todos à salvação eterna.

Aprendemos desde pequenos que cada Ave Maria rezada é uma rosa que se entrega à Virgem Mãe e daí o nome de Rosário.

Ora, é este sentimento que devemos ter ao recitar as contas do rosário. Que à nossa Mãe presenteamos com rosas de alegria e de amor, de confiança e esperança.

Maria é uma Mãe amorosa de todos os filhos e almas deste mundo porque assim quis Jesus Cristo quando, crucificado e após sofrer as mais cruéis torturas, olhou cheio de amor para sua mãezinha e, preocupado em não a deixar sozinha e desamparada, falou ao discípulo amado: “Eis aí a tua Mãe.” (Jo 19,27).

Sejamos nós este discípulo amado a receber, respeitar e cuidar desta Santa Mãe: A Mãe de Jesus.

Faça dela sua Mãe, pois assim como ela cuidou de Nosso Senhor, amamentando, vestindo, educando, colocando para dormir, dando beijos de carinho, abraços de amor infinito, passando os dedos em seus cabelos, sentido o seu doce cheiro, com o coração cheio de amor materno, também ela será assim com você.

Jesus não se afastou de Maria e Maria nunca se afastou de Jesus. Sempre juntos.

Pouco se fala de Maria na Bíblia, mas uma coisa é inquestionável: ela carregou o Cristo em seu ventre e esteve com Ele até seu último suspiro, sofrendo as dores da Cruz.

Uma Mãe que não abandona o Filho, um Filho que não abandona a Mãe.

Nas Glórias de Maria, Santo Afonso de Ligório nos traz as seguintes palavras de Novarino sobre a proteção de Nossa Senhora quando vê seus filhos em perigo no meio da tempestade da tentação: “Esconde-os amorosamente em suas próprias entranhas e ali os guarda até que os coloca no seguro porto do paraíso.”.

Amemos nossa Mãe sem medo de amá-la demais. Jamais seremos capazes de amá-la tanto como a amou o seu filho Jesus.

Confie! Ela não é capaz de desprezar um filho sequer que a chama e reconhece como Mãe. À ela, Jesus também disse: “Eis aí o teu filho!” (Jo 19,26). Seja você este filho!

Distribua rosas para ela todos os dias. Ensine seus filhos a também o fazerem. Coloquem muito amor nestas rosas e, quando um dia chegar no Céu, a Virgem do Rosário te receberá ornada com estas mesmas rosas!

“O amor de Deus é a flor e a misericórdia o fruto.”  (D. 949)

Sempre fiquei muito impressionada com a forma que Deus se revela e age em seus santos, seus eleitos.

E muito mais me impressionou a história de Santa Faustina Kowalska.

Foi uma amiga querida quem primeiro me apresentou a esta Santa e logo dela me tornei devota.

Iniciando a leitura do seu Diário da Misericórdia fiquei extasiada com a frequência que esta grande Santa via o Nosso Senhor Jesus e como Ele lhe falava de coisas cotidianas, preocupando-se com pequenos detalhes de sua vida.

Uma outra coisa que também me deixou deslumbrada foi a forma direta e clara com a qual Jesus se comunicava com Santa Faustina.

Ordens específicas sobre como pintar o quadro de Jesus Misericordioso, quais frases dizer na oração pela misericórdia e o horário em que deveria ser recitada esta mesma oração.

Jesus chega, inclusive, a ensinar uma jaculatória à Santa Faustina para que reze às três horas, caso suas obrigações não permitam a oração completa do terço da misericórdia.

E foi assim, diante de todo esse cuidado e zelo de Nosso Senhor, numa pedagogia antes desconhecida por mim, que compreendi o quanto Deus se preocupa com todos os aspectos de nossas vidas e o quanto Ele quer que, em todas as nossas necessidades, recorramos a Sua Misericórdia.

Neste ano de 2017, fui escolhida por Santa Faustina para ser minha Santa protetora, pois uma outra grande amiga me ensinou o costume de, no primeiro dia do ano, fazer um sorteio com nomes de muitos santos, do qual deveriam participar todos da família. Segundo a tradição, era o santo quem lhe escolheria, e não você ao santo, para lhe proteger no ano novo que se iniciaria.

E qual não foi minha grata surpresa quando, lendo o Diário de Santa Faustina, vi que, em seu convento, tinham o mesmo costume e que a Santa esperava e se alegrava muito com este momento, de sortear o seu santo protetor.

Sinto-me, assim, no direito de dizer que quero ser sua amiga, Santa Faustina, e que quero levar nesta amizade todas as famílias de Jesus, todas as famílias que desejam ardentemente ser de Jesus, todas as famílias que ainda não O conhecem, todas as famílias que necessitam do verdadeiro Amor.

Obrigada, minha amiga, Secretária da Misericórdia, por ter sempre sido humilde e obediente ao Nosso Senhor Jesus, por nos ensinar como O devemos amar e a Santa Virgem.

Quero colocar todas as famílias sob os raios das Misericórdia do Senhor, porque como dissestes em seu Diário, minha amiga do Céu: “Foi à luz dos Vossos raios da Misericórdia que compreendi quanto me amais.” (D.1487).

Assim, desejo de todo coração que, confiantes no amor de Deus por nós, possamos sempre nos aconchegar nestes raios de misericórdia que jorram para nós. E lá, neste cantinho especial, possamos sentir o consolo para nossas dores e preocupações de cada dia, num abraço apertado de um Pai Misericordioso.